Já nenhum de nós consegue suportar um computador lento, um smartphone a travar, uma página web a arrastar-se ou uma rede wi-fi sempre a cair. E, perante o problema, somos rápidos e quase obsessivos para o contornar. Atualizamos software, verificamos quais as aplicações que consomem mais bateria no telemóvel, vemos tutoriais no YouTube e pesquisamos dicas no Google para melhorar a qualidade da rede wireless que temos em casa. Tornamo-nos mesmo numa espécie de ninjas, sempre aperfeiçoando os nossos métodos para não perdermos a batalha contra as tartarugas tecnológicas. Na era da informação em que vivemos, a velocidade é sinónimo de conforto e qualidade de vida.
Depois de cumprirmos as responsabilidades fiscais e termos verificado que todas as nossas deduções foram tidas em conta pelo ministério de Centeno, foi pois com muito agrado que recebemos a notícia de que o Fisco prevê pagar os reembolsos de IRS em menos de 12 dias aos contribuintes que optarem pelo IRS automático e em menos de 23 dias para os outros. E entregar uma declaração em que praticamente só temos de clicar no botão "submeter", opção este ano alargada também aos contribuintes que têm filhos (às famílias, portanto), é a "cereja em cima do bolo".
Mas estas expectativas altas caíram por terra logo nas primeiras horas em que os contribuintes quiseram (alguns ficaram só pela tentativa) entregar as suas declarações de rendimentos de 2017. É que, ano após ano, a corrida ao portal das Finanças continua a entupir o sistema informático e a promessa de reembolso em 12 dias piorou a situação. Os problemas técnicos no acesso ao portal têm sido testemunhados por centenas de utilizadores, que se queixam de que o sistema trava quando se tenta iniciar o processo de entrega da declaração.
Esteve bem o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, quando lembrou que o prazo de entrega do IRS é de 60 dias e, portanto, há que fazer uma gestão equilibrada do calendário. Esteve mal o Governo, ao prometer reembolsos em 12 dias quando já sabe que tem um sistema informático que, sejamos justos, tem boa qualidade mas não é compatível com grandes picos de utilização. Justificar as dificuldades no processo com "problemas temporários" é demasiado amador. A Autoridade Aduaneira tem vindo a apostar cada vez mais na via informática na sua relação com os contribuintes, mas o serviço prestado ao cidadão ainda tem muito caminho pela frente.
* SUBDIRETOR
