Opinião

Mais rostos e menos muros

Mais rostos e menos muros

Se levantaram um muro de betão e colocaram grades em frente à casa da democracia, devido à grande manifestação dos profissionais da Polícia, é preciso saber exatamente porquê?

O que estamos todos a fazer, quando andamos a condenar a construção de mais muros e menos pontes? Na verdade, quanto mais se combate a desigualdade, mais muros se constroem.

Um dado parece, no entanto, evidente. O Movimento Zero, que está associado à luta dos polícias, é temido. E recear quem nos protege, deixa-nos a todos, no mínimo, um pouco apreensivos.

O argumento é de que há elementos de extrema-direita e indivíduos, infiltrados nesse grupo, dispostos a desestabilizar tudo e todos, mas não têm um rosto, não têm uma voz. São elementos indeterminados, dizem.

Mas isto não nos chega. Queremos saber quem são e porque estão ali. Não chega dizerem-nos que existem, queremos saber quem são. A incógnita deixa-nos ainda mais apreensivos. É preciso que nos expliquem porque é que são temidos.

Por outro lado, não é ao chamarem para a sua luta um movimento à paisana que os profissionais de Polícia conseguirão obter os apoios que procuram. Mesmo que recheados de razão e que a opinião pública esteja ao seu lado. É por isso difícil perceber o que é razoável. Quem está certo e quem está errado. Quem diz a verdade e quem não a diz.

O que é certo é que estamos a assistir a um medir de forças entre quem nos protege e quem nos governa há demasiado tempo. E se quem nos governa constrói muros e quem nos protege alia-se a extremistas, nós, os que nada temos a ver com isto, ficamos alarmados.

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É bom que a luta por melhores condições profissionais e salariais permaneça ordeira e civilizada, até para provar que não é preciso muros nem barreiras para quem nos protege todos os dias. Ontem foi assim.

*Diretor-adjunto

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