Opinião

Medidas para levar a sério

Medidas para levar a sério

Que o encerramento das escolas e das discotecas e a redução da lotação máxima dos restaurantes e dos centros comerciais seja o que faltava para todos perceberem que não estamos num circo nem a brincar quando falamos das vidas de todos nós.

Que as corajosas palavras e as medidas difíceis anunciadas por António Costa sirvam de uma vez por todas para dar validade às recomendações das autoridades de saúde que nos últimos dias temos recebido, mas para as quais muitos portugueses olham com desdém e com escárnio.

Elogie-se o momento em que o país político encontrou equilíbrio num dos momentos mais difíceis da história e que, agora, "a luta pela nossa própria sobrevivência", como, e bem, a classificou o primeiro-ministro, se possa travar com menos pânico e mais racionalidade. Sem idas à praia, sem festas temáticas e sem açambarcamento irracional de bens essenciais. E chegamos também ao ponto em que combater o Covid-19 é também combater o vírus que prolifera na Internet como um tsunami. Que as redes sociais sejam um local de entreajuda e onde a responsabilidade de cada um possa fazer a diferença, e não o habitual desaguar de frustrações e sapiência oca. Porque "há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta". A frase é do físico Albert Einstein. E lembrei-me dela por um simples motivo: é daquelas expressões que "bombam" nas redes e confere ao autor do post uma espécie de grandeza intelectual e filosófica. Mas nunca pensei que, com mais de 30 anos de jornalismo, a máxima do físico alemão servisse como argumento para entender o comportamento das pessoas neste tempo difícil que vivemos.

Que o fecho das escolas e as quarentenas e, por arrasto, o tempo que todos irão ter mais disponível para passar na Internet não sirva, portanto, para aumentar a parvoíce.

*Diretor-adjunto

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