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Opinião

Não troque a sua história por uma story

Não troque a sua história por uma story

O Mundo mudou e a mudança reflete-se na forma como comunicamos e interagimos em sociedade. O próximo ano não será diferente.

Assistiremos a mais um período de transformação, desta vez marcado por uma nova tecnologia que terá impactos na inovação social, económica e política. Se o 2G nos ofereceu as mensagens escritas, o 3G a Internet em todos os dispositivos e o 4G acelerou todos os processos, o 5G conduz-nos aos veículos autónomos, às cidades inteligentes, à domótica e robótica generalizada, etc. A nossa interação com as coisas e com as pessoas disparará. E isso é bom. Desde que, no futuro como no passado, se entenda que a Internet, os smartphones, a realidade virtual, a realidade aumentada, os dados, as redes sociais, os gadgets e afins são apenas ingredientes para a construção de uma sociedade moderna, ponderada, inclusiva, democrática.

A verdade é que nem sempre tem sido assim. Dos EUA à Rússia, passando pelo Brasil, não faltam exemplos. Mas também não é preciso radicalizar e banir os telemóveis das salas de aula, como em Espanha e em França, para encontrar um equilíbrio entre o homem e a máquina. O foco não pode ser como uma story do Instagram, passageiro e transitório. Nem podemos correr o risco de fazer scroll aos momentos decisivos das nossas vidas, incluindo o poder de voto. Nem escolher as pessoas com uma dança de dedos nos ecrãs dos telemóveis. Há um ano, por esta ocasião, aconselhava o leitor a não trocar um abraço por um like. E confesso que me surpreendi com as largas centenas de mensagens, gostos e partilhas dos milhares de leitores do "Jornal de Notícias".

Assim, a fechar o ano, aconselho-o a não trocar a história que ajuda a construir todos os dias por uma story do Instagram ou do Facebook. Estas duram 24 horas. A outra, a vida toda.

*Diretor-adjunto

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