Opinião

O desespero dos mais frágeis

O desespero dos mais frágeis

O desespero vivido nos últimos dias nos lares de idosos, e também entre os familiares dos utentes, revela que todos os estados falharam nas políticas diferenciadas para este setor social.

É certo que ninguém, sem exceção, estaria preparado para esta pandemia. Nem governantes, nem empresas, nem organismos públicos, sociais ou particulares. O Mundo não estava preparado. Mas, perante a evidente reorganização das famílias e do aumento de equipamentos e serviços destinados aos mais velhos, não fomos capazes de, enquanto sociedade global, responder às dificuldades de quem passou uma vida inteira a trabalhar.

Não bastou, como se vê, proibir a entrada de familiares nestas instituições. Era preciso mais para, pelo menos, tentar fechar a porta à morte. Na verdade, sempre convivemos egoisticamente com espaços sobrelotados e onde nos habituamos a ver velhinhos sentados à volta de um televisor. E, apesar de toda a dedicação, empenho e profissionalismo dos trabalhadores, todos dariam tudo para estar em casa, na sua casa, e não podem.

Falhamos também a quem hoje está em casa sozinho, sem e-mail, sem Facebook, sem WhatsApp, sem videochamadas por Skype ou séries da Netflix. Sem posts e partilhas para ajudar a passar o tempo com a boa disposição possível. E nós sem nos importarmos com a iliteracia digital de quem nos deu as competências para vivermos em rede.

Hoje estão aborrecidos porque os lugares do costume, os sítios do costume e os amigos do costume não estão nos lugares do costume. Agora, o que lhes podemos pedir é que fiquem em casa e garantir-lhes que neste país não há nenhum cowboy que sugira o seu sacrifício para manter a economia funcional, nem ninguém que vá decidir entre quem salvar e quem deixar morrer.

Diretor-adjunto

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