Opinião

O respeito dos japoneses num Mundial sujo

O respeito dos japoneses num Mundial sujo

É bem verdade que durante a competição de futebol que decorre no país que ocupa o 119.º lugar no índice de liberdade de imprensa, entre 180 estados, faz falta uma limpeza espiritual, já que a sujidade se foi acumulando desde a altura (2010) em que a FIFA escolheu o Catar como sede do Mundial.

É que, mesmo com a arte de varrer o lixo para debaixo do tapete, há um momento em que se torna impossível esconder a imundice dos olhos do público, seja ele mais ou menos asseado, esteja ele naquele país ou noutro qualquer.

É por isso que o exemplo, o bom exemplo, dado pelos adeptos japoneses merece mais do que um elogio. Merece respeito.

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Quer vençam, quer percam, no seu país ou fora dele, nos seus jogos ou nos dos adversários, os adeptos japoneses limpam as bancadas. Recolhem o lixo e deixam o espaço como o encontraram. Os jogadores fazem o mesmo. Limpam os balneários e despedem-se com um origami de agradecimento.

Este respeito pelos outros foi mediatizado no Mundial do Brasil, em 2014. Repetiu-se na Rússia, em 2018. Já em pleno Catar, teve a atenção de um influenciador que viralizou o comportamento dos nipónicos.

Só que esta atitude é mais do que uma operação para deixar tudo limpinho. O ritual milenar - Oosouji -, realizado na véspera de Ano Novo, estende-se às casas, às ruas, aos bairros, às escolas, às empresas. Todos participam. Velhos, novos, ricos e pobres. A faxina serve para valorizar valores comuns, para mostrar a importância do coletivo e para lavar a alma.

O Oosouji é uma forma de purificação. É uma forma de respeito. Individual e coletiva.

A cultura nipónica tem vindo a ganhar dimensão no Ocidente, sobretudo entre os mais jovens. Quer através das animes e mangas, quer através dos operadores de serviços vídeo de streaming. E não será por acaso.

No Catar, o Japão já deu uma lição. Respeito!

*Diretor-adjunto

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