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Opinião

Olhem para o Norte também

Olhem para o Norte também

Convém lembrar que as pessoas do Norte não gostam muito que lhes deem música. E quando o Estado queria gastar um milhão de euros para transmitir concertos na televisão dos mesmos músicos de sempre, ignorando por completo toda a comunidade artística que também está sem trabalho, dá para perceber o grau de elitismo neste país. Felizmente, foi obrigado a recuar na medida.

Tem sido dito que depois da pandemia seremos pessoas diferentes e mais unidas. A primeira previsão parece naturalmente garantida, já quanto à segunda restam muitas dúvidas.

Cresce a ideia de que o Norte tem tido um tratamento desigual no combate e tratamento à Covid-19. A DGS teve, aliás, de explicar os critérios para a distribuição de ventiladores pelo país. É certo, diz, que os hospitais da região já receberam 127 daqueles equipamentos. Mas também é verdade que, dos 144 distribuídos esta semana, 78 ficaram na Área Metropolitana de Lisboa... "por vontade expressa do dador".

Antes desta polémica, também os autarcas do Norte reclamaram testes imediatos nos lares de idosos, depois dos rastreios terem começado na Região Centro. Agora, exigem que se olhe mais para o Norte perante as assimetrias na distribuição dos testes entre a população.

Aos "senhores de Lisboa", o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, pediu "que olhem cá para cima também". Aos senhores de Lisboa, o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, clamou por ajuda. Aos senhores de Lisboa, o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, foi obrigado a fazer um "apelo muito grande" para o facto de o município ter esgotado os seus recursos para fazer face à pandemia. Aos senhores de Lisboa, Rui Moreira mostrou audácia e intransigência na luta pela saúde e segurança da sua cidade.

E se as pessoas do Norte não costumam cair sem antes terem dado muita luta, às doenças ou às disparidades, também não costumam estar caladas quando algo de errado se vislumbra.

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*Diretor-adjunto

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