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Opinião

Os donos disto tudo... até da Liberdade

Os donos disto tudo... até da Liberdade

Não gosto de expressões como "as redes sociais são os esgotos da sociedade", como ouvi recentemente saída da boca de um comentador televisivo, ou que são "uma perda de tempo".

Muito menos que façam estes julgamentos nas vésperas da festa da Liberdade, que, com mais ou menos distanciamento social, com ou sem máscara, com pouco ou muito gel desinfetante, com "fachos" ou com quem se acha melhor defensor da democracia do que os outros, tem mesmo de ser celebrada.

É que é mesmo bom não esquecer a Revolução dos Cravos quando descortinamos uma "nova normalidade" marcada por sinais velhos de pobreza, injustiças e outras dificuldades.

Quem ainda não se reinventou, dificilmente o fará. Quem ainda não percebeu que o "esgoto da sociedade" tem mantido ligado às máquinas milhares de negócios e empregos, não está a viver neste Mundo.

Indiferentes aos juízos de valor de quem não está preocupado com o salário ao final do mês, há muitos, muitos mesmo, que têm feito pela vida. Basta estar atento às centenas de pedidos que nos têm caído nas notificações do Facebook para gostarmos de estabelecimentos comerciais, das mais variadas tipologias. Ginásios, chefs de cozinha, nutricionistas, fisioterapeutas, floristas, restaurantes, entre muitos outros exemplos, têm sobrevivido recorrendo às redes sociais.

Uma das verdades desta pandemia é que o espaço social é assim mesmo. Ocupado por todos. Pelos que se escondem, pelos que aplaudem, pelos que o usam em benefício da comunidade. E até pelos que provavelmente passam mais tempo a ver as coreografias e as piadas do Tik Tok, mas vão para o Twitter despejar o seu tempo livre nos tais esgotos da sociedade.

A liberdade de cravo ao peito não é melhor do que a liberdade das redes. Só é mais bonita.

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Já tivemos os donos disto tudo, agora avistamos os donos da Liberdade.

*Diretor-adjunto

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