Opinião

Praias sem vírus e sem nadadores-salvadores

Praias sem vírus e sem nadadores-salvadores

Este fim de semana, vamos perceber de facto como serão as idas à praia. Com as temperaturas escandalosamente provocadoras, com os corpos a pedirem vitamina D e com o alívio das regras, que já permitem estender a toalha e dar uns mergulhos, adivinha-se uma enorme afluência aos areais.

Naturalmente, até porque as provas foram mais do que dadas durante os tempos de confinamento, a maioria dos portugueses irá ter o bom senso de cumprir os conselhos sugeridos pela Direção-Geral da Saúde.

A questão é se o Governo não devia ter antecipado a abertura da época balnear oficial. Parece óbvio que ninguém está à espera do dia 6 de junho ou dos semáforos que indicam a lotação dos espaços para ir a banhos.

Mas é bom que todos tenham em conta que, antes dessa data, as praias não têm vigilância assegurada pelos nadadores-salvadores, salvo raras exceções resultantes de iniciativas avulso de algumas autarquias.

Sabemos que a Autoridade Marítima Nacional vai colocar quase todo o seu dispositivo no terreno. Elementos das capitanias, do Instituto de Socorros a Náufragos e da Polícia Marítima vão realizar ações preventivas e de sensibilização. Mas não chega. As praias têm de ser locais seguros de todos os pontos de vista e não apenas por razões sanitárias.

Aliás, não se entende porque é que a questão da profissionalização dos nadadores-salvadores ainda não entrou, da Esquerda à Direita, com insistência na agenda política.

Um país que vive do turismo não pode continuar a ter uma legislação de 1959 que entrega aos proprietários dos bares a vigilância das praias. Bares que, dadas as circunstâncias, nem sequer sabemos se terão condições para garantir esse cuidado.

Esperemos, ao menos, que a partir do dia 6 os nadadores-salvadores não estejam mais ocupados a contar pessoas do que a vigiar os banhistas na água.

*Diretor-adjunto

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