Opinião

Preparem-se

Preparem-se. Dia 15 de setembro vamos ter medidas mais restritivas neste longo caminho de desconfinamento. Todo o país ficará em estado de contingência. O anúncio é justificado pelo Governo para preparar o regresso às aulas e o retorno de muitos portugueses ao seu local de trabalho.

Na verdade, já todos conhecemos e vivemos as regras. O que falta saber é como, onde, e em que circunstâncias vão ser aplicadas. Dia 7, epidemiologistas, responsáveis políticos e atores sociais voltam a reunir-se no Infarmed, desta vez (finalmente) com transmissão aberta, para apreçarem as novas normas.

O Governo está a jogar pelo seguro. Sabe que a vacina contra a covid-19 está longe. Olha para o que se passa na Europa, onde as infeções voltaram a aumentar, vê os números dos boletins epidemiológicos portugueses que parecem apontar para uma tendência de subida no número de novos casos, recorda a reabertura dos corredores aéreos para o Reino Unido, que devolveram precisamente alguma esperança ao turismo para os meses de setembro e outubro, e não quer correr riscos. Nem hesitar. Como aconteceu com o estado de emergência, só declarado após pressão do presidente da República, e com o estado de calamidade decretado para as 19 freguesias da região da Grande Lisboa.

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Os anúncios, também feitos ontem, de que o subsídio de doença em caso de infeção pelo novo coronavírus vai ser pago na totalidade durante os primeiros 28 dias e que quem tenha de acompanhar um filho ou dependente fica igualmente com falta justificada durante 14 dias, revelam a preocupação com o regresso às aulas e com o inverno que se aproxima.

O novo estado de contingência não pode ser encarado como um passo atrás de António Costa. Este é apenas só mais um passo em frente numa luta que ainda não tem data para terminar, mesmo que o calor do verão nos tenha dado a ilusão, por breves instantes, de que tudo estava a ficar bem.

*Diretor-adjunto

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