Opinião

Ser uma pessoa real antes de pedir votos

Ser uma pessoa real antes de pedir votos

Sigo Sanna Marin no Instagram. Eu e mais de 470 mil pessoas. Não só pela sua simpatia, carisma e glamour. Acompanho-a porque, sem abrir mão de postar nas redes sociais, a primeira-ministra mais jovem do Mundo mostra-se uma pessoa real, mesmo sendo a primeira-ministra da Finlândia.

Um recandidato à presidência de uma câmara municipal portuguesa também me segue. Bem vistas as coisas, impôs-se num outdoor bem grudado à saída de minha casa, escondendo parte de um tranquilizante relvado de uma cidade onde todos os espaços verdes deveriam ter aqueles autocolantes que colamos nas caixas de correio com a inscrição "publicidade não endereçada, aqui não, obrigado".

Certamente por falha minha, conheço melhor a chefe do Governo de centro-esquerda finlandesa do que o candidato e presidente da autarquia onde resido. Sei que Sanna Marin é ecologista e feminista. Sei que cresceu numa família formada pela mãe e pela companheira, décadas antes de a lei finlandesa reconhecer o casamento homossexual. Sei que o seu trabalho se centra em torno da sustentabilidade e igualdade de género. Percebo que consegue agarrar a atenção dos mais jovens, o que explica grande parte do seu sucesso eleitoral.

Certamente por falha minha, conheço muito pouco do recandidato que impôs a sua fotografia em frente ao prédio onde habito. E a pergunta surgiu. Os 33,6 milhões de euros que partidos, isolados ou em coligações, e os movimentos independentes vão gastar durante a campanha eleitoral para as autárquicas do próximo mês farão com que cada português conheça melhor quem se propõe gerir a sua terra? Os orçamentos refletem essa preocupação.

Muitos milhares serão gastos em propaganda, comunicação impressa e digital, estruturas, cartazes, telas e comícios. Mas mais milhares vão para agências de comunicação e sondagens. Portanto, antes de pedirem os votos, os candidatos saberão bem a quem, onde e quando pedir. O como é que não muda. Tem mudado quase tudo, menos a forma que Sanna Marin já adotou há algum tempo. Ser uma pessoa real.

*Diretor-adjunto

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