Opinião

Silenciar a democracia

Silenciar a democracia

O Parlamento não é pertença herdada por uma elite de partidos. Pobre do país que usa o silêncio como arma para o debate político.

Se os eleitores elegem deputados para a Assembleia da República é porque querem que os mesmos os representem. Que sejam a sua voz. Sem exceção, em todos os momentos. Quando se silencia partidos, ao abrigo de tradições e regimentos obsoletos, coloca-se em causa valores fundamentais da democracia, como a igualdade e a liberdade.

O que se espera, portanto, é que depois de amanhã, os partidos Chega, Iniciativa Liberal e Livre possam intervir no debate quinzenal com o primeiro-ministro, depois de essa possibilidade lhes ter sido negada por toda a Esquerda, leia-se PS, BE, PCP e PEV. Só quem não percebeu que a política atual não tem futuro é que pode sustentar que os partidos que só têm um deputado não podem questionar o primeiro-ministro e o Governo.

Felizmente, ainda há quem salve a honra do convento e deixe claro que a liberdade não é apenas o direito de alguns. Foi o caso do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que pediu à Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para analisar a questão de forma a possibilitar a alteração das regras. Foi também o caso da socialista Isabel Moreira, que veio a público lembrar que calar os mais pequenos é uma "má decisão política". Depois de propostas de carpintaria para deixar passar os mais incómodos e desenhos negociados para sentar quem chegou de novo à casa da democracia, atirar a concorrência minoritária para fora do debate é andar para trás no tempo.

O mal, contudo, já está feito. Com receio de dar mais protagonismo ao deputado antissistema, porque é só disto mesmo que se trata, a mensagem errada já passou e ele agradece. Mais uma vez.

* Diretor-adjunto

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