Opinião

Silêncios que se pagam

Silêncios que se pagam

Em Portugal, como noutros estados, a apatia e a indiferença com o exercício do poder estão expressas nas altas taxas de abstenção dos atos eleitorais. Existem variadíssimas teses para explicar o fenómeno e não diferem muito de país para país. O que fica evidente é que a distância entre eleitores e governantes é um problema grave para qualquer democracia. Enfraquece-a.

O debate sobre a indiferença perante a política e os políticos é cíclico. Assenta naturalmente após os sufrágios eleitorais e pouco mais. Já o descrédito que contribui para a baixa participação nas eleições é cultivado ao longo das legislaturas, quer por governos quer por oposições. Outras forças aproveitam-se desta perigosa desilusão e desapego e crescem. Algumas conseguem juntar-se, direta ou indiretamente, aos chamados arcos de governação. Foi assim em Itália, foi assim na Suécia. Podemos ainda observar o que está a acontecer um pouco para todo o continente europeu.

É, portanto, arriscado que qualquer governo aparente exercer uma certa intolerância democrática impedindo a ida de governantes às comissões parlamentares, que um novo ministro decida qual é o momento ideal para responder a perguntas no Parlamento ou que uma deputada resolva mandar apagar de uma ata questões colocadas por um outro deputado que lhe pareceram incómodas. E não é um pedido de desculpa, apropriado e feito no momento certo, refira-se, que anula o ato censório de um representante eleito.

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Não são apenas os sucessivos fracassos de gestão na saúde, no ensino, na justiça ou a falta de respostas aos principais problemas económicos que criam um descrédito generalizado nos cidadãos.

O impacto da desconfiança do cidadão no poder está bem à vista. A diminuição do escrutínio político ou a simples perceção desse decréscimo pode ter consequências graves. E sem retorno.

Diretor-adjunto

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