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SMS da Proteção Civil só com sinais de fumo

SMS da Proteção Civil só com sinais de fumo

Já sabemos que as 70 mil golas de proteção de fumo para pescoço e rosto compradas para os kits do programa Aldeia Segura não servem para nada. Custaram ao erário público mais do que seria suposto, num negócio suspeito e investigado pelo Ministério Público, e foram fabricadas com material inflamável.

Agora, ficamos a perceber que a difusão de avisos de emergência pelos telemóveis também é subaproveitada ou, absurdamente, limitada à época dos incêndios. É bom recordar que o sistema de alertas por SMS custou ao Estado quase um milhão de euros. É bom recordar que cada operadora recebeu cerca de 250 mil. Mas, nestes últimos dias, o interface esteve tão afogado como tantas estradas deste país. Não existiu. Não funcionou. Esteve off.

Já é escandaloso o dinheiro dos contribuintes ser mal gasto. Pior é quando é desembolsado e não é usado. Foi precisamente o que se passou neste últimos dias com a passagem destruidora da Elsa e do Fabien pelo território português. Não chega que o ministro da Administração Interna faça marketing político nas televisões, argumentando que as autoridades prestaram atempadamente avisos às populações. É preciso viver no século XXI.

Não é apenas a dar nomes às tempestades que a comunicação pública das medidas de emergência em caso de fenómenos climáticos é eficaz. Mais importante do que batizar as depressões e anticiclones de Cecília, Daniel, Elsa, Fabien, Herve, Inês, etc., é saber usar as ferramentas que o Estado tem disponíveis em favor da proteção das populações.

E mais ridículo ainda é a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil ignorar as suas redes sociais, numa era marcada pela cultura de partilha. Se não as usa, se não as atualiza, é preferível não as ter. E quando nem sequer autentica o perfil do Facebook, é muito mau sinal. Não sabe o que está a fazer. Se não sabe, ao menos que aprenda. Basta olhar para o lado, para o país vizinho, que nem precisa de ter uma Secretaria de Estado com o pomposo nome de Transição Digital.

Diretor-adjunto

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