Opinião

O regresso da nova geração

O regresso da nova geração

De acordo com os dados que são disponibilizados pelo Observatório da Emigração, o "saldo migratório", que faz o balanço entre as saídas e entradas permanentes em Portugal de cidadãos nacionais, concluímos que 147 mil trabalhadores portugueses se deslocaram definitivamente para o exterior, entre 2011 e 2016. Recordo, ainda, que vários estudos apontavam para a vontade de pelo menos 70% dos jovens emigrantes portugueses regressarem ao país.

Neste contexto, a preocupação que o Governo manifesta, ao anunciar que uma das medidas que fará constar da proposta de Orçamento do Estado para 2019 será um programa para fomentar o regresso dos jovens que partiram para o estrangeiro mas pretendem regressar ao nosso país é extremamente positiva. É, no entanto, necessário perspetivar este problema na sua globalidade. As empresas têm de ser apoiadas na contratação destes jovens, mediante a criação de um sistema de incentivos. E, se a criação de postos de trabalho competitivos não deixa de ser um elemento central para este desígnio, a capacidade de dar resposta a outras necessidades, como o acesso a habitação, também é de extrema importância.

Exige-se, ainda, a disponibilização de infraestruturas de mobilidade, de redes de transportes adequadas, escolas e centros do conhecimento, equipamentos sociais e de apoio e de cidades regeneradas e inteligentes, capazes de se apresentarem como espaços dinâmicos, abertos, com capacidade de adaptação a contextos em permanente mudança, que contribuam decisivamente para o sucesso e a qualidade de vida dos cidadãos.

O programa para fomentar o regresso dos jovens que no início da década abandonaram o país é, sem dúvida, um passo necessário, que o nosso tecido empresarial tem plena capacidade para apoiar e acompanhar.

Mas o desafio que se coloca é amplo. Aliado a todos os demais fatores, que já salientei, Portugal tem de criar uma "matriz" estratégica de desenvolvimento, da qual fazem parte os nossos jovens. Alicerçado num processo evolutivo assente em competências das faculdades, dos politécnicos e dos centros de formação profissional, podemos ter a ambição de ir mais longe. Temos todas as condições para nos afirmarmos enquanto "escola" europeia de formação de ativos, nomeadamente através dos centros de formação profissional de excelência de que dispomos, apostando na competência e no saber fazer, que distingue os nossos profissionais. Não só temos os recursos para formar os jovens profissionais que as nossas empresas necessitam, mas, de igual modo, podemos e devemos evoluir para uma realidade que permita "exportar" conhecimento, formando nacionais de outros países, que desta forma poderão beneficiar da nossa reconhecida experiência e, em especial, da mais-valia que os nossos jovens "regressados" podem representar.

* PRESIDENTE DA AICCOPN