Opinião

A falta de professores

A falta de professores

Com o decréscimo do número de professores do ensino básico e secundário, sobretudo a partir de 2012, chegámos a um ponto em que milhares de alunos estão sem professor desde o início do ano. Simultaneamente, foram oferecidos horários incompletos a milhares de professores, tornando impossível a aceitação por estes do trabalho que lhes era proposto. O problema é grave mas não é dramático, tem soluções. Assim haja, como parece haver, competência e vontade política para o resolver.

No estudo de diagnóstico que o Governo encomendou à Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e à Universidade Nova de Lisboa, percebe-se que o problema tem duas dimensões. Uma, de curto prazo: há alunos que estão sem professores. As soluções são contratar os professores que já estão no sistema completando os seus horários e envolver diplomados com a formação académica necessária, proporcionando-lhe a formação pedagógica em exercício, envolvendo as instituições de ensino superior e os professores com experiência.

Outra, é de médio e longo prazo. É necessário formar novos professores e atualizar os programas de formação. As soluções, aqui, são fáceis. As instituições de ensino superior têm capacidade, competência e recursos para responder às necessidades de formação identificadas no diagnóstico. Trata-se, apenas, de planear e programar essa formação. As instituições de ensino superior formam hoje, por ano, mais de 80 000 diplomados. Têm todas as condições para formar, anualmente, 3500 professores.

PUB

Porém, é preciso ir mais longe nas soluções e enfrentar alguns tabus. Em primeiro lugar, a forma profundamente errada como continua a fazer-se o recrutamento, a seleção e a colocação de professores. São discutidos com dramatismo os casos de professores "com a casa às costas", mas evita-se ir ao fundo do problema. Há muito que as escolas deviam ter os seus próprios quadros de professores e que os diretores deviam ter autonomia para fazer a gestão das substituições e das novas contratações. A integração das escolas em agrupamentos e o envolvimento de pais e autarquias permitem, hoje, uma gestão dos recursos humanos de proximidade mais eficiente.

Em segundo lugar, as condições de trabalho dos professores nas escolas inseridas em territórios críticos. Nestes casos, a autonomia das escolas na gestão dos recursos docentes e dos profissionais de apoio devia ser reforçada. Estas escolas deviam dispor de recursos adicionais para compensar aqueles para quem ensinar é um desafio ainda mais difícil.

É preciso dramatizar menos e ser mais consequente.

*Professora universitária

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG