Opinião

Três notas sobre as eleições e o seu depois

Três notas sobre as eleições e o seu depois

1. O PS ganhou as eleições sem maioria absoluta. Esse objetivo foi cumprido, com o contributo decisivo do Bloco de Esquerda. António Costa formará Governo e resta saber como vai querer negociar soluções daqui para a frente.

2. A Direita teve uma derrota proporcional ao vazio da sua proposta política pós-troika.

3. O Bloco consolida-se como terceira força política nacional, com um importante reforço em muitos distritos, mantendo o seu grupo parlamentar de 19 deputados. O Bloco é, assim, uma força indispensável à procura de soluções que garantam a estabilidade da vida das pessoas naquilo que é mais importante: habitação, saúde, salário e investimento público para combater as alterações climáticas.

Sobre esta possibilidade de entendimento o PS deu sinais contraditórios ao longo da campanha eleitoral, tendo até sugerido cenários de instabilidade caso não vencesse com maioria absoluta. Se essa for a sua vontade, o país não sairá beneficiado. Pela parte do Bloco de Esquerda, dizemos com clareza ao que vimos, sem suspense nem surpresas. Estamos disponíveis para negociar uma solução de estabilidade, baseada em medidas que prossigam o caminho de recuperação de direitos e rendimentos ao longo da próxima legislatura, e que, por isso, devem ficar explícitas no novo programa de Governo.

Em alternativa, se não houver vontade do PS para que tal entendimento se concretize, o Bloco está também disponível para uma negociação que se faça a cada Orçamento e a cada lei. Em qualquer destes casos, o compromisso é o mesmo: proteger o trabalho, com a retirada das medidas da troika da lei laboral, com o combate à precariedade e a garantia de direitos para os trabalhadores por turnos; dignificar as pensões, com o fim da dupla penalização imposta pelo fator de sustentabilidade; salvar o SNS, com mais recursos e uma clara separação entre o público e o privado, a começar pelo caminho que deve ser feito para a exclusividade dos seus profissionais; proteger os serviços públicos em todo o território, nomeadamente com a recuperação dos CTT; e mais investimento público para responder à crise da habitação, à necessidade de transportes e à emergência climática.

Nas negociações que se avizinham, é isto que se pode esperar do Bloco: disponibilidade para encontrar entendimentos em torno de medidas necessárias, concretas e exequíveis, que respondam pelos compromissos que assumimos com o país.

*Deputada do BE

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