Opinião

#guerra

Nos últimos dias tem-se falado mais ou menos declaradamente da possibilidade de guerra, especialmente o presidente dos Estados Unidos da América, que tem usado o Twitter como arma de destruição massiva.

É particularmente alarmante que a América, país que tanto sangue deu por tantos conflitos, e que assinalou com a Europa, há bem pouco tempo, o 75.º aniversário do Dia D, tenha tão poucos pruridos em falar dessa palavra maldita - guerra.

Bastaria ver uma fotografia, uma só, do incrível ensaio que Robert Capa fez nas praias da Normandia nesse dia, para que a leviandade acabasse. Incrível porque o fotógrafo esteve lá, também sujeito à brutal barragem de fogo alemão. E depois, porque daqueles instantes se imagina logo o caos contínuo. Há uma imagem em particular que me comove sempre. Sem exibir a morte ou sangue, aquela fotografia de foco arrastado, um soldado americano que tenta chegar à praia Omaha, é um tratado sobre a coragem e o medo e o sofrimento. São desconcertantes todas essas imagens, pintadas num preto e branco glorioso, a sublinhar com luz a fragilidade humana, em toda a sua determinação e desespero.

Jornalista