Opinião

Quem paga esta TAP socialista?

Quem paga esta TAP socialista?

A pandemia trouxe a crise a diversos setores da economia e, sem dúvida, um dos mais impactados à escala global é o da aviação. Com os voos suspensos ou reduzidos ao mínimo, as companhias aéreas aterram em dificuldades.

A TAP não é exceção, somando ainda agravantes decorrentes da atuação governamental no pré-pandemia. A nacionalização da empresa e as declarações do ministro da tutela, afirmando que a TAP estava em falência técnica, ditaram que a Comissão Europeia não qualificasse a companhia aérea portuguesa para o "auxílio estatal no contexto do surto de covid-19". Esta exclusão coloca a TAP em clara desvantagem face às concorrentes e eleva as dificuldades financeiras.

Estas decisões governamentais cortam, hoje, as possibilidades de a TAP se financiar no mercado e condenam a companhia ao "Apoio de Emergência à Liquidez". A autorização destas ajudas a uma empresa em mercado concorrencial obrigam, pelas regras dos tratados relativas à concorrência, a uma restruturação dura que se reflete num encolhimento global da companhia. Sejamos claros, após esta restruturação, a TAP não mais será igual: menos aviões, menos rotas, menos geração de dinheiro e menos capacidade para pagar empréstimos. É a dura realidade.

Neste período em que as companhias aéreas estão a preparar o regresso à atividade, a desenhar o seu posicionamento no mercado pós-covid, a elaborar planos de marketing e com financiamento nos mercados privados, a TAP ainda não tem sequer o seu plano aprovado pela Comissão Europeia.

O que falta de competência ao Governo sobra em responsabilidade aos trabalhadores. O acordo alcançado demonstra que o seu apoio à empresa é inequívoco. Despedimentos de monta e cortes que chegam a atingir 50% do salário mostram bem quem dá a camisola pela empresa.

É irónico, mas os primeiros a pagar esta TAP socialista são os seus trabalhadores. A seguir, virão os contribuintes.

Engenheiro e autarca do PSD

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