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Miguel Poiares Maduro

Como lidar com o extremismo

Aqueles que, como eu, acreditam que a política deve procurar reconciliar interesses e visões diferentes do bem comum assistem com enorme preocupação ao crescimento do extremismo político. Este concebe a política como um combate entre duas conceções irreconciliáveis da sociedade. Frequentemente, o outro lado é apresentado como não representando nem agindo em nome do povo, mas sim como estando ao serviço de interesses obscuros e minoritários (sejam eles as elites, a finança, os imigrantes, etc.). É fácil ver como esta conceção da política pode facilmente descambar no autoritarismo no seu exercício. Essa contraposição justifica tudo a um lado contra o outro. Mas para lá deste risco, uma democracia contaminada pelos extremismos é uma democracia polarizada e radicalizada em que a função de reconciliação de interesses diferentes se torna impossível.

Miguel Poiares Maduro

Regras simples para um Mundo complexo

No início desta pandemia escrevi aqui sobre o desafio que constituía para os responsáveis públicos saber gerir a incerteza. Precisávamos de regras simples para um Mundo complexo. Se não o soubessem fazer, a consequência seria uma comunicação pública incapaz de orientar os cidadãos no meio desta crise. O pior seria a incerteza científica inerente ao vírus e à pandemia transformar-se em incerteza sobre o que era pedido aos cidadãos. Infelizmente é a isso que parecemos estar a assistir, com mensagens e decisões públicas inconsistentes e erráticas. Acresce que quanto mais se prolonga a inconsistência das mensagens públicas menos credibilidade e respeito merecem por parte dos cidadãos. Todos se recordam de como, inicialmente, nos foi dito que as máscaras apenas não eram necessárias como até poderiam ser prejudiciais. Agora são fundamentais e até na rua devem ser obrigatórias. E se os testes começaram por ser justificados apenas em casos de sintomas claros, agora diz-se que o sucesso da resposta à pandemia passa por "testar, testar, testar". Com este histórico não sabemos se devemos acreditar quando nos dizem que os testes rápidos não fazem sentido ou se daqui a poucas semanas, quando houver dinheiro para os ter, nos irão dizer que afinal são parte fundamental do combate à pandemia.