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Miguel Poiares Maduro

O grande consenso de fim de ano

Quem acha que Portugal não necessita de maior coesão social e territorial, mais crescimento e investimento? E que temos de conseguir isso no contexto de novos desafios, resultantes das alterações climáticas, transição digital e evolução demográfica? As mensagens de Ano Novo do presidente da República e do primeiro-ministro limitaram-se a exprimir este grande consenso entre nós. O problema é que este consenso existe há muito e não serve para nada. O desafio que temos não é identificar o que nos falta e desejamos, mas sim como o conseguir...

Miguel Poiares Maduro

Os outros "Rios vermelhos"

"Rios vermelhos" é um filme de Mathieu Kassovitz que retrata uma série de crimes hediondos numa universidade situada numa ilha isolada. Pouco a pouco o filme revela a relação entre esses crimes e a endogamia generalizada nesse campus universitário. A sucessão entre progenitores e filhos na universidade tinha gerado uma comunidade de consanguinidade, conducente à loucura. Este não é apenas um thriller, é uma metáfora sobre as universidades.

Miguel Poiares Maduro

O poder e a verdade

A relação do poder com a verdade define uma democracia. Quando o poder estabelece a verdade, em vez de depender da verdade, não há democracia. A corrosão da verdade é a corrosão da democracia. Todos os regimes totalitários assentam na mentira. Na construção seletiva de uma "realidade" ao serviço de um regime e da sua ideologia, independentemente da verdade. Mas isso tem um custo social enorme que acabará sempre por ser pago, às vezes de forma profundamente trágica. É isso que ensina, de forma brilhante, a nova série da HBO "Chernobyl". Há um momento em que o principal cientista nuclear russo decide expor o custo da mentira do regime, a que ele próprio pertencia: "Quando a verdade ofende, mentimos até não nos lembrarmos mais dela. Mas ela continua lá. Cada mentira que dizemos incorre numa dívida para com a verdade. Mais tarde ou mais cedo essa dívida é paga". Nem sempre essa dívida é uma tragédia nuclear como a de Chernobyl. Mas essa dívida existe sempre e será paga.

Miguel Poiares Maduro

Este não é um artigo sobre a greve

Dou por mim a pensar que não parece existir outro tema no país para além da greve dos motoristas de mercadorias e matérias perigosas. É abrir as televisões ou ler um jornal. A gestão política fez de uma greve no setor privado um reality show sobre um alegado estado de emergência no país. O Governo foi politicamente eficaz: usou o receio de insegurança e caos que o seu próprio fracasso na gestão da greve anterior tinha gerado para promover um exercício de autoridade e força. Se com consequências políticas na compreensão do direito à greve para o futuro é difícil de estimar pois o nosso país aceita bem constantes contradições políticas...