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Douro a precisar de gente e de ajuda

Douro a precisar de gente e de ajuda

Está a ser um ano difícil para os produtores de vinho do Porto e Douro. Na mesma altura em que comemora o 20º aniversário da elevação a Património Mundial da Humanidade, a região foi fustigada com uma das secas mais extremas e prolongadas dos últimos 90 anos - a segunda maior, de acordo com os dados oficiais. Estima-se que o fenómeno meteorológico venha a provocar um decréscimo de 20% no volume de produção, mas o que resulta de mais preocupante é a ameaça séria que as alterações climáticas representam para o equilíbrio do território e para a sustentabilidade do modelo de negócio.

Esta questão foi objeto de amplo debate nas várias edições da Climate Change Leadership Porto Summit, onde estiveram reunidos os produtores, as entidades representativas do setor e especialistas em transição climática, identificando problemas que não podemos ignorar e soluções que não devemos abdicar de perseguir. Enfrentar e minimizar os efeitos da crise ambiental que vivemos é, sem dúvida, o grande desafio para as novas gerações dos produtores de vinho do Douro e Porto.

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Soma-se a este um outro problema estrutural: a demografia. Como bem recordou uma reportagem do "Expresso" no último fim de semana, o Alto Douro Vinhateiro sofre de uma escassez gritante de mão de obra, que se faz sentir de forma particular no período da vindima, onde tradicionalmente se exige uma força de trabalho duas vezes superior à normal. Com uma população fortemente envelhecida, a crescente falta de atratividade do trabalho agrícola e os fluxos de imigração imprevisíveis, a ameaça é séria e merece ser atendida. O Douro precisa de gente para continuar.

Para agravar estes constrangimentos, e depois de dois anos de pandemia, os produtores nacionais têm agora de enfrentar o garrote da crise económica, com custos de energia insustentáveis, subida de preços dos vários materiais e a necessidade de aumentar a folha salarial para segurar os poucos funcionários que dispõem. A situação é asfixiante e, como defendem os representantes do setor, justifica-se um plano de apoio específico à fileira do vinho, tratando-se de um dos poucos produtos nacionais com valor acrescentando. Agir já é fundamental, para que o futuro do Douro esteja assegurado.

*Empresário e presidente Associação Comercial do Porto

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