Opinião

O Bloco de Esquerda é perigoso

O Bloco de Esquerda é perigoso

O que diríamos de um político que pretende cortar regalias fiscais que o Estado atribui aos residentes estrangeiros, limitar objetivamente a imigração? Um perigoso nacionalista, com pequenos laivos xenófobos? E o que pensaríamos acerca de um partido que apoia convictamente um regime mais ditatorial do que muitas ditaduras, que priva os cidadãos das liberdades e dos direitos básicos, gerando um êxodo de proporções impressionantes e de consequências humanitárias gravíssimas?

Dir-se-ia algo tão pouco simpático como o que se pode ler e ouvir sobre o Governo italiano, o primeiro-ministro húngaro ou o presidente americano. No mínimo, dir-se-ia tratar-se de ameaças à democracia. A verdade é que estes extremistas existem e são particularmente ativos em Portugal. Têm sigla, cara e nome próprio. Chamam-se Bloco de Esquerda.

Mais relevantes do que as rentrées do PS e do PSD, as novidades de fim de verão vieram de Francisco Anacleto Louçã e do seu alter ego Catarina Martins. Um alerta para a "política suja" de que, antecipa, o partido vai ser alvo, ao passo que outra desde já avisa que, para existir, a próxima geringonça tem de ter o Bloco dentro do Governo.

O Bloco perdeu a ingenuidade, que nunca teve, e deixou de ter vergonha. Sendo que a falta de vergonha, também chamada demagogia e populismo baratos, sempre foi um dos seus maiores problemas. Não sou o primeiro a dizê-lo, não serei seguramente o último a senti-lo: partidos como o Bloco são tão perigosos para o futuro da democracia continental como os mais radicais dos movimentos nacionalistas de Direita.

Olhe-se para os aliados europeus de Louçã e Catarina e atente-se no que representam a França Insubmissa (abolir o presidencialismo e instituir uma República popular) e o Podemos (ocupação de casas e reestruturação da dívida das famílias, em registo "não pagamos"), em Espanha. Ou, mais grave, veja-se o apoio e o entusiasmo do Bloco em torno da candidatura do presidiário Lula da Silva ao Palácio do Planalto e a brincadeira de um recurso para as Nações Unidas por parte de quem não acata uma decisão soberana de um tribunal brasileiro.

O Bloco parece civilizado e já consegue confundir-se com os partidos "normais". Institucionalizou-se - Louçã senta-se à mesa do Conselho de Estado e é conselheiro do Banco de Portugal -, aburguesou-se - tendo em Ricardo Robles o seu melhor exemplo de empreendedorismo -, e infiltrou-se no Estado - basta ver por quem estão a ser preenchidos grande parte dos lugares de chefia na hierarquia da administração pública. Não se deve ter medo das palavras. Habituemo-nos: o Bloco é perigoso.

EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO

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