Opinião

A verdade na pandemia

A dúvida de que os números da Direção-Geral da Saúde sobre a pandemia não correspondem à realidade - ou pior, são subavaliados -, pode ser mortífera na relação de confiança necessária, numa crise com esta dimensão, entre os cidadãos e as autoridades sanitárias.

A acusação de vários autarcas, de diferentes cores políticas, segundo as quais a DGS não informa com verdade, é terrível e terá um efeito demasiado nefasto nesta altura em que grande parte da população tende a descontrair.

Tem sido feito, sem dúvida, um enorme esforço tanto por Graça Freitas como por Marta Temido em nome da informação transparente. Prova disso foi a realização de conferências de imprensa diárias até há relativamente poucos dias. Não adianta, contudo, falar se o que se comunica gera desconfiança. Para que tal não aconteça, todos devem fazer a sua parte. Quem tem de referenciar casos positivos terá de fazê-lo, mesmo tratando-se de um trabalho burocrático aparentemente alheio ao exercício da medicina. De igual modo dos autarcas se espera o cumprimento do seu papel, que não é, seguramente, o de provocar alarmismo.

Gera alguma perplexidade ouvir diariamente que tudo está sob controlo. E ver surtos a surgir de norte a sul, e assistir à indignação do Governo perante as portas fechadas dos ditos nossos velhos aliados. Gera perplexidade a notícia de novos casos de coronavírus na Grande Lisboa sem que nada, de verdadeiramente musculado, seja feito. Aqui ao lado, na vizinha Espanha, qualquer surto, seja em Barcelona, seja numa vila galega, leva prontamente ao confinamento. A ser verdade a afirmação do presidente da Câmara Municipal da Trofa de que 30 por cento dos novos casos do concelho são importados de Lisboa, talvez seja melhor agir, sem hesitações. Ou se, de facto, não for necessário medidas específicas de tampão dos contágios, as autoridades devem explicar com clareza. Temos direito a saber, embora não tenhamos dúvida de que a economia fale mais alto.

Editora-executiva

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