Opinião

Alegria confinada

Esta será uma semana decisiva. O Executivo reúne-se hoje com o Conselho Nacional de Educação e peritos para avaliar as condições para retomar, ou não, as aulas. Quinta-feira saberemos.

E se as perspetivas se concretizarem, António Costa anunciará o regresso à escola dos alunos, de pelo menos os alunos 12.º ano, a 4 de maio, tendo em conta o acesso ao Superior. Em que condições, veremos.

Seria uma ótima notícia. Todos nós, aqueles que têm ficado em casa, a maioria dos portugueses, continuaremos comprometidos a manter o confinamento entre quatro paredes. Por todos nós. Mas o que mais se deseja agora é um sinal de esperança, capaz de mitigar esta desolação que nos cerca.

Criada ao ritmo das festividades religiosas, esta semana será das mais tristes que vivi. Não celebrar a Páscoa com tudo aquilo que encerra de festivo, além do poder simbólico do renascimento, torna estes dias sombrios. Nem as glicínias no seu esplendor florido conseguem atenuar a mágoa.

Falo da Páscoa, celebrada em comunidade, na aldeia onde sempre vivi; as portas abrem-se a todos para deixar entrar Cristo, para partilhar o pouco que temos com os nossos, os amigos, os vizinhos. A Páscoa tem e terá sempre, havemos de voltar a celebrá-la juntos, uma memória da infância. Haverá algo mais pueril do que estar atenta aos sons campestres da sineta pascal para se localizar a casa onde vai entrar o compasso?

Antes, a alegria de lançar as flores para o tapete a sinalizar que aquela morada quer receber a cruz. E passar essa alegria aos filhos, ficar feliz por sentir que eles vivem o momento com idêntico contentamento. É também a alegria simples da infância que esta crise nos rouba. Por isso, precisamos, ainda que lentamente e sem precipitações, de sinais de normalidade - de sair à rua e não fugir do outro.

*Editora-executiva-adjunta

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