Opinião

Comprar a democracia

É um primeiro passo efetivo para mostrar à Hungria que não pode ser membro da União Europeia e, em simultâneo, prosseguir com a sua deriva autocrática. Se não arrepiar caminho, os 7,5 mil milhões de euros em fundos comunitários, no âmbito da política de coesão, jamais chegarão a Budapeste. Soaram as campainhas: o Governo de ultradireita mostra-se disponível para acatar as reformas exigidas por Bruxelas. Em causa estão práticas de corrupção, por falta de concursos públicos, na atribuição de verbas comunitárias.

Mas não é apenas a corrupção a manchar a democracia na Hungria e, também, na vizinha Polónia. De Bruxelas partem há muito avisos para o Leste. Avisos claros: o respeito pelas normas do Estado de direito é fronteira que não pode ser pisada. E tem sido.

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Não esqueçamos o silenciamento da Comunicação Social, as interferências na organização dos órgãos judiciais, o desrespeito e até a afronta a diversas minorias, a intolerância perante migrantes, como ficou demonstrado no início da guerra da Ucrânia, com a discriminação não disfarçada aos refugiados não caucasianos.

Com a decisão do Conselho Europeu - deverá ser ratificada pela Comissão Europeia -, Bruxelas parece ter finalmente apresentado um verdadeiro cartão vermelho às práticas totalitárias do Governo de Viktor Orbán, que até agora tinha vivido bem com as ameaças verbais. O sinal está dado a um país que o Parlamento Europeu considera ser uma autocracia eleitoral, longe, portanto, de um sistema democrático. Os pressupostos poderão aplicar-se à vizinha Polónia. Estejamos atentos, pois em breve poderemos estar a falar de outros estados europeus. Atentos, pois, às eleições italianas do próximo fim de semana. As autocracias, qual mancha, vão pouco a pouco conquistando a velha Europa.

*Editor-executiva-adjunta

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