Opinião

Falta uma cadeira para a Europa

Falta uma cadeira para a Europa

A imagem de Ursula von der Leyen arredada dos lugares de honra, devido a um erro de protocolo, na recente visita de Estado à Turquia, representa bem a metáfora do estado da União Europeia na cena política mundial.

Sem dúvida constrangedora a imagem da presidente da Comissão Europeia, sentada num sofá lateral, afastada da importância simbólica exigida pelo cargo que ocupa. Parece ser esse o lugar político da União.

Depois de um arranque promissor na forma integrada como a UE reagiu à pandemia e como, pela primeira vez, a resposta a uma crise surgiu conjunta e coesa, rapidamente os 27 deixaram vir a lume as divergências - as fragilidades de uma união política à procura ainda daquilo que verdadeiramente a une. Os primeiros percalços no processo de vacinação foram suficientes para voltarmos a ver cada um a olhar para o interesse particular do seu país, sem qualquer pejo em deixar à vista de todos que o interesse comum é uma boa bengala retórica a que se recorre nos discursos de circunstância.

Seja pelas diferentes medidas relativamente à vacina da AstraZeneca, seja nas estratégias para suprir a falta de vacinas, cada país trata de se remediar, mandando às urtigas a promessa de que os 27 iriam cuidar da crise pandémica com a solidariedade de um momento excecional.

Perante tal situação, podem os cidadãos confiar numa estratégia, abalada diariamente por episódios que a põem em causa, verdadeiros ou postos a circular por interesses mais ou menos obscuros, quando cada um dá uma resposta que contradiz a do vizinho?

Neste momento, devemos reconhecê-lo, os cidadãos do Reino Unido devem estar a agradecer o timing com que o populista Boris Johnson os desafiou a abandonar o barco dos 27 e a acantonarem-se na ilha.

Editora-executiva-adjunta

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