Opinião

Não podemos ignorar

Como ficar indiferente às imagens de homens, mulheres e crianças atacados pelo Exército israelita na Faixa de Gaza?

Só mesmo aqueles que não conseguem descolar de posições ideológicas podem não sentir repúdio por tamanha barbárie. Esta é uma realidade que, citando Sophia, "Vemos, ouvimos e lemos/ Não podemos ignorar". E quantas outras situações ignoramos na nossa indiferença confortável, apenas estremecida se tentamos perceber o motivo que leva homens, mulheres e crianças a arriscar a vida, em precárias embarcações, na travessia do Mediterrâneo. A fome, sim, quase sempre provocada por guerras infindas.

Nigéria, Chade, Níger, Mali, Burkina Faso, República Centro-Africana, Camarões, Mauritânia, Iémen são apenas alguns exemplos de conflitos silenciosos, alguns deles a decorrer há décadas, com milhares de vidas ceifadas, outras amputadas da mais elementar dignidade.

Milhares de refugiados e deslocados, sendo as mulheres e as crianças sempre a ocupar o papel dos mais vulneráveis. Alguns destes conflitos, sem fim à vista, eclodiram com a Primavera Árabe, tão acarinhada por tantos países ocidentais que agora lavam as mãos, enviando alguns milhões de euros para acudir à crise humanitária.

Tão pouco sabemos nós destas tragédias. Chegam-nos apenas quando um dos nossos - um militar, um voluntário, ou alguém com interesses comerciais na zona - é atingido. A distância provoca indiferença, torna-nos imunes à dor da pobre gente. Não vemos, não ouvimos, não lemos - ignoramos. Mas, e volto a Sophia, "Nada pode apagar/ O concerto dos gritos/ O nosso tempo é/ Pecado organizado".

*Editora-executiva-adjunta

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