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Quanto vale a vida de um homem negro?

Quanto vale a vida de um homem negro?

Um homem morreu, abatido à queima-roupa com três tiros disparados por outro homem. O crime aconteceu num início de tarde de verão, num sábado, numa rua deste país de brandos costumes. Dizem testemunhas, ouvidas pelos órgãos de Comunicação Social, que o agressor antes de disparar, com a sua arma ilegal, terá dito à vítima para ir para a terra dele. As autoridades, no entanto, afirmam que as testemunhas quando inquiridas não referiram motivações racistas.

A vítima, de 39 anos, negra, não poderia ir para a terra dele. Bruno Candé vivia na sua terra, embora muita gente neste país dos brandos costumes ainda não tenha absorvido que um negro também pode ter Portugal como pátria. Não sabemos se Bruno Candé foi morto por ser negro, sabemos, sim, disso não resta qualquer dúvida, que perdeu a vida por um motivo fútil. Dos relatos conhecidos, sabe-se ter havido um desentendimento entre vítima e agressor por causa da cadela de Bruno. Por causa de uma cadela, um homem atira à queima-roupa, com uma arma ilegal, repito, sobre outro homem.

Três crianças, com idades entre os três e os seis anos, perderam o pai - abatido a tiro quando estava pacificamente sentado com a sua cadela numa esplanada de Moscavide, no início de uma tarde de verão. Era sábado. Um homem morreu por um motivo fútil, vítima de outro homem que trazia consigo uma arma de fogo ilegal. Isso devia fazer pensar e dar motivos para nos indignarmos. Mas nada acontece. Não ouvimos a ira popular a pedir inquéritos, a exigir a ida do ministro ao Parlamento, ninguém parece questionar a venda de armas a civis. Coisa estranha, no país dos brandos costumes. E mais estranho se torna quando ainda não esquecemos a indignação pela morte, há poucos dias, de dezenas de animais. Quanto vale afinal a vida de um homem?

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