Opinião

O Tiririca não quer a regionalização

O Tiririca não quer a regionalização

Os dois maiores partidos querem retomar o debate sobre a regionalização, mas apenas na próxima legislatura, noticiou o "Expresso".

É pena que o PSD e o PS não percebam a urgência desse debate, num país em que tudo tem de ser decidido a partir de Lisboa e em que o centralismo se paga muito caro, como se vê pelo abandono a que estão votados dois terços do território.

Contra a regionalização utiliza-se como principal argumento o aumento da despesa política, ignorando propositadamente todos os estudos que demonstram a poupança conseguida de cada vez que a utilização dos impostos dos portugueses é decidida localmente. Há uma despesa que parece não preocupar os centralistas, aquela que resulta das más decisões tomadas em Lisboa. Essa despesa pode repetir-se, porque enquanto não houver uma verdadeira descentralização, o elevado preço do centralismo nunca será demonstrado. Todos os eventos servem para justificar novos investimentos, mas, a cada dia que passa, é mais difícil viver e circular em Lisboa.

Útil, mesmo útil, era que o debate já estivesse a acontecer e fosse um dos grandes temas da campanha eleitoral, mas na capital não há tempo para as grandes discussões. Andam todos muito ocupados com a criação de novos partidos, e as ajudas chegam de todo o lado. Santana criou o Aliança, André Ventura o Chega, mas o Tino de Rans garante que o RIR é o melhor remédio para as misérias da política à portuguesa. Para Reagir, Incluir e Reciclar, o famoso calceteiro entrega hoje no Tribunal Constitucional (TC) as assinaturas para formar um novo partido. Parece que a democracia está a cansar muita gente e, vai daí, há cada vez mais voluntários para dar um partido a cada português.

Destes três, apresentados este ano, para já, só o Aliança existe, mas aos onze partidos que foram criados no século passado e se mantêm na lista do TC, temos de juntar outros onze criados depois do ano 2000. Há uns mais liberais que outros; defensores do povo, dos cidadãos ou das pessoas, ao mesmo tempo que defendem os animais. Há quem seja Livre, quem queira reformados e pensionistas unidos e há quem queira ser uma alternativa socialista. Há de tudo e, no fim, acabaremos a votar no Tiririca, porque pior do que está não fica.

*Jornalista

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