Opinião

A União Europeia e as eleições

A União Europeia e as eleições

Quando se aproximam as eleições europeias, torna-se quase um lugar-comum dizer que essas próximas eleições são as mais importantes para o futuro União Europeia.

Acontece que, pelo contexto em que acontecem e pelos desafios com que se confronta a União, as próximas eleições serão mesmo, seguramente, as mais importantes em muitos anos para o futuro da Europa.

Isso resulta, antes de mais, dos desafios verdadeiramente existenciais com que está confrontada a União Europeia. Por um lado, a incerteza do Brexit e seus efeitos, por outro lado, as ameaças externas a Leste e a concorrência e bipolarismo crescente com a China e os Estados Unidos. E, sobretudo, com riscos e ameaças internas: o populismo a aceder ao poder em vários estados-membros, protagonizado por forças políticas que se não conformam com os valores fundamentais da integração europeia.

Perante isto, surpreende negativamente, e não devia escapar a censura política, a tentativa de desviar o tema das eleições apenas para assuntos políticos nacionais. Menos ainda se compreende que esse desvio seja tentado justamente por aqueles a quem compete representar o país na União Europeia, e, portanto, por aqueles que têm a primeira obrigação de centrar estas eleições nos seus verdadeiros temas: eleger deputados europeus, para decidir os destinos da União Europeia.

E tem também de registar-se criticamente a tentativa de afirmação de um discurso na Europa pela negativa, com contraposição entre blocos. A União Europeia constrói-se pelo diálogo e pela negociação, e não promovendo blocos de confrontação, como por exemplo entre o Norte e o Sul.

Deixando de lado as forças que atualmente não têm representação europeia, as alternativas com que estão confrontados os eleitores não são complexas.

De um lado, as forças que rejeitam a integração europeia, seja por protagonizarem um euroceticismo envergonhado, seja por rejeitarem o sistema económico que conduziu a Europa a ser a região mais próspera do Mundo, favorecendo o coletivismo, e as forças que aceitam aliar-se com elas no plano nacional; do outro lado, o europeísmo realista de quem procura defender os interesses nacionais com eficácia no seio do maior grupo político europeu, rejeitando alianças tanto com o extremismo de Esquerda como com o de Direita.

De um lado, o(s) candidato(s) fabricado(s) "à pressa" a partir da (duvidosa) notoriedade aproveitada no Governo, e sem experiência europeia; do outro lado, quem tem o melhor conhecimento da política europeia e da sua forma de funcionamento, quem pode exercer maior influência no sentido dos nossos interesses e tem as melhores propostas para políticas europeias, resultantes justamente dessa experiência.

Cabe aos cidadãos optar, não se deixando iludir nem desviar na sua apreciação por golpes de teatro ou manobras de ilusionismo, que já sabem onde acabam por conduzir.

*PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

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