Opinião

Desconcerto nuclear

A Alemanha encerrou três das seis centrais nucleares nas últimas horas de 2021. França, pelo contrário, quer relançar a sua indústria nuclear, uma fonte de eletricidade estável e que não liberta carbono. Por outro lado, países da Europa Central, como a Polónia ou a República Checa são pró-nuclear, uma vez que devem substituir as suas centrais de carvão altamente poluentes.

Para aumentar o desconcerto dos estados-membros, a Comissão Europeia acaba de propor que os investimentos em energia nuclear e gás sejam considerados sustentáveis ("verdes") no processo de transição ecológica. O caldo está entornado.

As questões energéticas tanto são fatores agregadores quanto desagregadores. Convém recordar que existem ainda dois organismos em paralelo com a União Europeia (UE): a Comunidade Europeia (antiga CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica. Se àqueles dois organismos juntarmos a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, temos o embrião da atual UE. Ou seja, o carvão e a energia nuclear eram e ainda são temas de extrema importância. A primeira fonte de energia está em vias de extinção e a segunda ganhou agora nova vida no debate sobre alternativas à eletricidade e ao gás natural.

Apesar da agitação gerada em torno do nuclear, no plano da mobilidade seria importante debater de forma séria a escolha entre o elétrico e o hidrogénio. Poderemos assistir também aqui a um desconcerto europeu? O hidrogénio pode contribuir com mais de 20% para a descarbonização mundial até 2050, de acordo com a McKinsey. Instalar estações de serviço em Portugal e noutros países não é um passo difícil e criaria um mercado, tal como sucedeu com os postos de carregamento elétrico. Por outro lado, 96% do sistema europeu de gasodutos está pronto para uma conversão para hidrogénio. As alternativas existem, mas faltam as escolhas coordenadas a nível europeu.

*Editor-executivo-adjunto

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