Opinião

Direita, resolver

Um PSD partido em três ou em dois? Na verdade, pouco importa como dividimos o bolo. O que resultar da segunda volta eleitoral de sábado, ganhe Rui Rio ou ganhe Luís Montenegro, será sempre um PSD partido.

Um projeto em suspenso, obrigado a curar as feridas internas, refém de um estatuto de influência que tarda, imerso na contabilização de espingardas por parte dos caciques, entretido com os intelectuais que só gostam de comer os gomos sumarentos da laranja. A fome de poder é a locomotiva de um partido de Governo, deste partido de Governo, mas a fome de poder também cega.

E nisso Rui Rio tem razão, sendo ele juiz em causa própria: a autofagia social-democrata em torno dos líderes deixou de ser um natural exercício de liberdade de pensamento e escolha crítica para se tornar num cisma corrosivo que aniquila a ambição de qualquer espírito bem-intencionado. Sem estabilidade, não há projeto que resista. Em particular no atual contexto político, dominado por um PS refasteladamente ao centro, mas com uma largura de braços que lhe permite aconchegar causas à Esquerda e até à Direita.

É por isso que a refrega interna no PSD não se esgota na São Caetano à Lapa. É o caminho que o Centro-Direita quer seguir que também vai a votos. A partir de sábado, teremos um PSD mais à direita (com Luís Montenegro), ou um PSD estacionado ao centro (com Rui Rio)? Teremos um PSD aventureiro, disponível para lavrar territórios radicais, ou um PSD calculista e paciente, à espreita de uma escorregadela do PS e de um arrufo mais sério na agora união de facto das esquerdas?

Ganhe Rio ou Montenegro, o primeiro desafio do partido será o do regresso à normalidade. Só depois poderá pensar em crescer e afirmar-se como alternativa aos socialistas. Mas para isso não chega a vontade: é preciso que o PSD que sair derrotado deixe.

*Diretor-adjunto

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG