Opinião

#oprahnós

Tive de ouvir de novo o discurso de Oprah Winfrey nos Globos de Ouro. Para confirmar o que julgara ter percebido à primeira: não se distingue naqueles nove minutos de alocução qualquer mensagem presidencial. Apenas lugares-comuns, ditos por uma comunicadora treinada e enfatizados pelo olhar embevecido de atores habituados a chorar sem borrar a pintura. Mas a Internet já tinha escolhido. E, por isso, a mulher mais poderosa da América tem de ser candidata contra o homem mais poderoso da América. Oprah versus Trump é apenas o prolongamento de uma atrofia mediática, a resposta, em sentido figurado, a um bárbaro com uma "Barbie". No fundo, bilionário contra bilionário. Porque "the reality show must go on", não é verdade?

Oprah foi empurrada pela bolha mediática, mas depois ganhou-lhe o gosto e alimentou-a à mão. Num ápice, a sua história de vida (a menina pobre e segregada que se transformou numa multinacional) passou a bastar para convencer o exército de norte-americanos que escolheu Trump. Num dia, Oprah não sabia nada de política, no outro tinha uma pequena equipa a sondar os bastidores democratas. Não aprendemos nada com o primeiro ano desta nova e bafienta América. Pelos vistos, a subcave moral onde Trump germina não é suficientemente escura e húmida. Queremos continuar a escavar. Mas à procura de quê? E de quem?

* JORNALISTA

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