Opinião

#osbraços

Theresa May - que, como toda a gente sabe, é o Arsène Wenger disfarçado de mulher - decidiu ensaiar uns passos de dança numa visita recente a África. É fácil de adivinhar o que se seguiu: um misto de espanto e escárnio globais em face do jeito apalermado como a primeira-ministra britânica baloiçou os braços. Políticos experientes como May já deviam saber que estas tentativas de aculturação resultam sempre num exercício de humilhação dos próprios. Os nativos de Nairóbi - que, como toda a gente sabe, aprendem primeiro a dançar e só depois a gatinhar - limitaram-se a esboçar um sorriso complacente e hospitaleiro, embora, à luz do direito internacional, aqueles gestos mecanizados da líder conservadora fossem suficientes para expulsá-la de solo nigeriano. Mas quem não sabe dançar está solidário com May. Há séculos que os estudiosos buscam uma resposta para esse mistério: onde meter os braços quando gingamos as ancas em público? Há quem se ampare no copo, e use a mão livre para passear os dedos pelo cabelo; há quem desenhe longos círculos no ar e semicerre os olhos, num registo ora místico, ora demente; e há quem cole os braços às pernas, num passo tipicamente conhecido como o pinguim tímido. Theresa May fez de robô atrevido - que, como toda a gente sabe, é uma das várias formas de expressão corporal de lidar com o Brexit.

* JORNALISTA

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