Opinião

Os grandes democratas

Podem dar as voltas que quiserem, mas impedir deputados eleitos de intervir no Parlamento não tem outro nome: chama-se intolerância democrática.

E é um perigoso sinal de má convivência com a liberdade de expressão. Podem mitigar os qualificativos, aligeirar as explicações e encontrar bodes expiatórios num regimento claramente desajustado face à nova diversidade do hemiciclo. Mas não convencem ninguém. Ao tentar cortar a palavra aos deputados do Livre, da Iniciativa Liberal e do Chega, a coligação negativa formada por PS, BE, PCP e PEV não respeitou os 200 mil portugueses que escolheram aquelas soluções, não ajudou a credibilizar a imagem de um Parlamento em galopante perda de influência e só tornou mais tortuoso o caminho dos partidos em direção à respeitabilidade. Acresce, na palidez do argumentário desta Esquerda intolerante, que tudo isto foi feito ao arrepio de uma exceção que ela própria aprovou para o PAN na pretérita legislatura. A não ser que haja exceções benignas e exceções malignas.

O consenso ontem alcançado, na véspera do debate quinzenal com o primeiro-ministro, e que confere aos três deputados um minuto e meio de tempo de antena, era a única saída possível. Em particular após as críticas veladas do presidente da Assembleia da República, secundadas pelo presidente da República, que se limitaram a ficar espantados com o óbvio. Que foi o absurdo de os partidos proponentes não terem entendido o óbvio.

O Parlamento não se dá mais ao respeito por erguer muros em torno de projetos extremistas (sem dúvida que o Chega teve um papel importante nesta tentativa de restrição política). O Parlamento dá-se ao respeito usando as regras da democracia para rebater o que tiver de ser rebatido, com a força das ideias e dos argumentos, e não escudando-se de forma cobarde num regimento passadista que tem de ser alterado de forma profunda. Um minuto e meio de intervenção em debates que se estendem por várias horas é uma concessão assim tão grande? Na verdade, aquilo que parecia ser uma demonstração de força foi apenas uma tremenda prova de fraqueza. E, no final, falaram mais alto aqueles que iam ser silenciados.

Diretor-adjunto

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