Opinião

Voando sobre um ninho de cacos

Voando sobre um ninho de cacos

Todos estamos recordados da voz grossa do ministro Pedro Nuno Santos quando o assunto foi a nacionalização da TAP. Todos estamos recordados de como este Governo dramatizou, com a habitual eficácia mediática, a necessidade de o Estado injetar 1200 milhões de euros de dinheiros públicos na companhia de bandeira, ancorado na tese de que era demasiado importante para cair porque demasiado pesada na balança das exportações. Mas provavelmente não estamos todos recordados do compromisso assumido pelo mesmo Governo quando se percebeu que a estratégia de sobrevivência da transportadora aérea não passava pelo aeroporto do Porto, paulatinamente relegado para um plano subalterno. "Nós temos uma grande preocupação com a cobertura do território", afirmou, há dias, Pedro Nuno Santos, garantindo que "Porto e Algarve não são estranhos nesta estratégia". Certo? Errado. Porque a pretensa nova estratégia da TAP é, na realidade, uma velha estratégia : na retoma da operação para outubro, a empresa voltou a esquecer-se do segundo maior aeroporto do país, optando conscientemente por entregar esse vazio de mercado aos privados, que lhe chamam um figo. A TAP já tinha passado do segundo para o oitavo lugar da lista das dez maiores companhias a operar no Sá Carneiro, mas os planos que hoje revelamos indiciam que a pegada da empresa a Norte vai ficar ainda mais diluída. Ora, havendo mercado e não havendo interesse, não há respeito pelo dinheiro dos portugueses.

Chegados aqui, insistimos na pergunta: vale mesmo a pena nacionalizar a TAP se a missão de serviço público a que está obrigada for esta? Queremos mesmo uma companhia nacional regionalizada em Lisboa? Se preferem salvar a empresa para a trancar no aeroporto da capital, não há mal nenhum. Não continuem é a acenar-nos com a bandeira nacional. Já percebemos que o peditório em que estão a envolver o país todo só vai ajudar os do costume.

*Diretor-adjunto

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG