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Opinião

À beira-mar plantados

À beira-mar plantados

1. Não parece haver espaço para a sensatez. Ou se está com os fundamentalistas sanitários, que vislumbram a catástrofe em cada jantar tardio no restaurante ou convívio juvenil à beira-mar; ou se está com os negacionistas e os seus delírios sobre o ataque à liberdade por um Estado totalitário.

O espaço público foi contaminado por um discurso político polarizado, em que já não há síntese de opiniões divergentes, uma vez que não se negoceia com os inimigos ignorantes que estão do outro lado da barricada. Mas não tem de ser assim. Se não se querem ouvir uns aos outros, ao menos ouçam o presidente da República, que tem, entre outras, a vantagem recente da autoridade do voto popular. Já não estamos perante a ameaça desconhecida de março de 2020. Já não voltará a espiral de morte de janeiro deste ano. Já temos milhões de pessoas vacinadas e em particular os mais velhos e mais frágeis. Mas estamos na quarta vaga. E cresce a pressão sobre os hospitais. Prevenção em vez de proibição é o que se exige ao Governo. Responsabilidade individual em vez de histerismo é o que se exige a cada cidadão.

2. A União Europeia atualiza, de forma regular, a "lista negra" de paraísos fiscais. Na última revisão, em janeiro passado, ficaram uma dúzia de países e territórios, uma vez que saiu a ilha de Barbados, para entrar a de Dominica. É curioso notar que os socialistas europeus contestam a lista, argumentando que ficam de fora os "piores infratores", incluindo territórios europeus. É curioso porque são também socialistas os que governam atualmente um dos países que instituíram uma espécie de "paraíso fiscal" para estrangeiros. No ano passado, segundo as contas mais recentes, foi batido mais um recorde nesse país: aos europeus ricos que ali vivem (em particular aos aposentados) ao abrigo do estatuto de residente não habitual, foram "perdoados" 900 milhões de euros em impostos (60% deste montante diz respeito ao IRS). Beneficiam de todas as vantagens que o Estado oferece a quem lá reside, mas pagam apenas alguns tostões. A despesa é assegurada pelos impostos cobrados aos indígenas. Que país é esse à beira-mar plantado, tal como as ilhas caribenhas? Portugal.

Diretor-adjunto

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