Opinião

A pandemia, a escola e a abstenção

A pandemia, a escola e a abstenção

1. É provável que o Governo acabe por ceder à pressão e feche as escolas. Há um número demasiado elevado de novos casos por dia para que seja possível manter a serenidade. E um acumular de mortes que a qualquer pessoa parece inaceitável.

São muitos os gritos de alarme que chegam de médicos e enfermeiros capazes de aterrorizar qualquer cidadão. E demasiados hospitais que já não têm lugar para os doentes que chegam, com covid ou com outros males igualmente ameaçadores. Mesmo que não haja uma relação de causa-efeito (e muitos especialistas, por enquanto, dizem que não há), manter as escolas abertas numa sociedade tomada pelo pânico é contraproducente. Já nem o presidente da República esconde a ansiedade, acabado de sair de uma reunião com peritos, e prometendo outra já a seguir, outra vez para perceber se é tempo de mandar os alunos para casa. É provável, insista-se, que o Governo acabe por ceder à pressão. Mas que não haja ilusões. Isso terá um impacto profundo e irreversível em milhares de crianças e jovens. E, portanto, no futuro do país.

2. A eleição presidencial do próximo domingo já tinha vários condimentos que faziam dela uma forte candidata a um recorde de abstenção. Porque se trata de uma espécie de plebiscito ao presidente em funções (com Sampaio e Cavaco, a abstenção subiu mais de 15 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo mandato e, no caso de Marcelo, o ponto de partida são os 51%. É só fazer as contas). Porque a inclusão automática nos cadernos eleitorais de todos os portadores do cartão do cidadão acrescenta centenas de milhares de emigrantes que ou não querem ou não podem votar. E, finalmente, porque, para muitos portugueses, a democracia deixou de ser uma festa para se transformar numa maçada. Os ingredientes estavam cá todos, mas agora há mais um, que aponta ao desastre: uma pandemia descontrolada que aconselha a ficar em casa. O próximo presidente não terá menor legitimidade formal. Mas arrisca-se a ter um peso político diminuído.

Diretor-adjunto

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