Opinião

A caravana  de Trump

A caravana  de Trump

Há uma caravana de milhares de hondurenhos a caminho dos EUA. As razões do êxodo são prosaicas: fuga ao crime e à pobreza, um futuro para os filhos.

A caravana é notícia, não pelo fenómeno, corrente naquelas geografias, mas pela dimensão - chegaram a ser cerca de sete mil. E captaram a atenção do homem que manda na Casa Branca.

Trump fez da invasão de "criminosos", que inclui velhos, mulheres e crianças, a obsessão dos últimos dias de campanha. Um discurso de ódio que incluiu declarações sinistras sobre a beleza do arame farpado, anúncios racistas (associando aos migrantes um homicida de dois polícias) e, finalmente, a sugestão de uma revisão constitucional que retire o direito à nacionalidade aos que nascem em território americano.

As eleições já acabaram, é possível que Trump se distraia com outra coisa qualquer (por exemplo, uma intimação dos democratas, que agora controlam a Câmara dos Representantes, para mostrar a sua declaração de impostos), mas isso já não muda o destino dos hondurenhos.

O presidente republicano semeou o ódio e este germinou. Nas sondagens da CNN à boca das urnas, metade dos eleitores opinou que as políticas migratórias de Trump são demasiado duras. Mas a outra metade dividiu-se entre os que acham que é a atitude correta e os que querem ainda mais dureza contra os imigrantes (velhos, mulheres e crianças incluídas). Porventura, que a tropa atire a matar, se algum ousar arremessar uma pedra lá do outro lado da fronteira (não é delírio, foi o que Trump sugeriu, para depois recuar).

As eleições deram, é verdade, a maioria na câmara baixa aos democratas, mas, no Senado, os republicanos ampliaram a sua maioria. Não vale a pena deitar foguetes. Há dois anos, como agora, Trump também perdeu no voto popular (menos dois pontos percentuais do que Hillary), mas teve uma vitória esmagadora no colégio eleitoral que escolhe o presidente. É por isso provável que a América passe a ser um lugar perigoso para um imigrante das Honduras. E, no entanto, eles continuarão a fazer a viagem.

*CHEFE DE REDAÇÃO

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