Opinião

Populismo bancário

Vai por aí uma justa preocupação com o populismo. No princípio, era a preocupação com o populismo de extrema-esquerda que vinha da Grécia. Nos dias mais recentes, é a preocupação com o populismo de extrema-direita que vem do Brasil.

Independentemente das opiniões sobre qual é o tipo de populismo que faz mais estragos, é certo que não tem fronteiras. Nem ideológicas, nem geográficas. Talvez porque uma das principais características do populismo, ou melhor, dos populistas, segundo os entendidos da ciência política, seja o facto de proporem soluções simples para problemas complexos. Coisas do género: a dívida é demasiado grande, não se paga (populismo à grega); há muito crime, atira-se a matar (populismo à brasileira).

Aqui chegados, aproximamo-nos do cerne da questão. Portugal dificilmente será ameaçado por esta praga. Ao contrário, por aqui promovem-se soluções complexas para problemas simples. Veja-se o caso da falência de bancos e o seu impacto nas contas públicas. No Orçamento do Estado para 2019 agora aprovado, lá estão mais 885,8 milhões de euros à conta de sociedades veículo de dois bancos falidos (BPN e Banif). E mais 400 milhões de euros à conta da operação de troca de um banco falido (BES) por um banco quase falido (Novo Banco). Não querendo tornar a explicação sobre a solução demasiado complexa, convém lembrar que o BPN, só até 2016 (diz o Tribunal de Contas), sugou 3,7 mil milhões de euros aos contribuintes.

Quanto à troca do BES pelo Novo Banco, começou por custar 3,9 mil milhões ao erário público. Já depois da venda à Lone Star, deu-se mais uma injeção de 792 milhões dos portugueses. E para o caso de continuar a correr mal, estão assegurados mais 3,9 mil milhões à conta de um tal de mecanismo de capital contingente. Pago pelos do costume. Às vezes apetece ser populista, não apetece? Coisas do género: o banco faliu, que paguem os gestores e os acionistas; houve gestão danosa, que ponham os banqueiros na cadeia.

*CHEFE DE REDAÇÃO

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