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Opinião

Lisboa ganha sempre

Há um antes e um depois do metro. Para um lisboeta a frase terá pouco ou nenhum significado. Mas para muitos portuenses (os que vivem no Porto e nos municípios à volta) é sinónimo de uma revolução.

Em escassos três anos e meio (novembro de 2002 a maio de 2006), passou-se de zero a 60 quilómetros (a ligação a Gondomar só chegou em 2011). A adesão excedeu as melhores expectativas: no ano passado, fizeram-se 70 milhões de viagens, ou seja, mais 10 milhões de passageiros do que aquilo que se pensava ser o limite da rede.

É importante recordar que esta revolução foi arrancada a ferros. O Terreiro do Paço, sempre pródigo em despejar dinheiro em sucessivas expansões do metro de Lisboa, olhava para o projeto da Área Metropolitana do Porto e de autarcas como Fernando Gomes, Vieira de Carvalho ou Narciso Miranda (para citar os mais carismáticos) como uma megalomania. E fechou a torneira o quanto pôde. De tal forma que cerca de três quartos do investimento se fizeram com recurso a empréstimos bancários (o resto veio a fundo perdido da Europa e somaram umas quantas migalhas do Orçamento do Estado).

Um truque manhoso, para fugir à dívida pública e ao défice, que a intervenção da troika destapou: ainda hoje, no OE para 2021, lá estão os três mil milhões de euros de dívida da Metro do Porto, que é na verdade dívida do Estado. Vem a memória a propósito dessa segunda revolução que se anuncia para os próximos dez anos. À boleia da bazuca europeia, haverá dinheiro para construir em simultâneo quatro novas linhas no Grande Porto.

São mais de mil milhões para 28 quilómetros, que incluem o segundo troço da linha circular da cidade (o primeiro está prestes a arrancar), as segundas ligações da Invicta a Gaia e a Gondomar (os concelhos com mais movimentos pendulares com o centro da metrópole) e a que vai rasgar a densa muralha urbana da Senhora da Hora e S. Mamede de Infesta (Matosinhos) até ao Hospital de S. João. São excelentes notícias.

Mas que não se celebre, ainda, o fim do centralismo. Feitas as contas ao investimento nos transportes para as duas grandes áreas metropolitanas, Lisboa receberá quase o dobro (2300 milhões) do Porto (1350 milhões). Há coisas que nunca mudam. Nem a tiro de bazuca.

*Chefe de Redação do JN

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