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Negociar com um terrorista?

Negociar com um terrorista?

Houve um tempo em que Putin e os seus sequazes julgaram que seria possível ocupar a Ucrânia e derrubar o seu Governo legítimo em três dias. A previsão falhou, porque o exército russo tinha pés de barro, minado pela incompetência e a corrupção do regime.

Depois veio o tempo em que o autocrata julgou que seria possível chantagear as democracias europeias usando o gás natural e, dessa forma, travar a ajuda militar e financeira aos ucranianos. Até ver, as contas saíram furadas.

Chegou, entretanto, o tempo do novo "czar" mostrar absoluto desprezo pela vida humana, recorrendo a táticas terroristas (nada que já não tivesse feito antes na Chechénia ou na Síria), sem distinguir alvos militares e civis. E se os europeus não vão morrer de frio, como anunciou com soberba oca, o caso é diferente para os ucranianos.

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Como alertou por estes dias a Organização Mundial da Saúde, a rede de energia ucraniana e outras infraestruturas civis vitais para a sobrevivência da população estão a ser alvo de uma destruição sistemática. Milhões de pessoas não têm como se aquecer, numa altura em que se anunciam temperaturas negativas. Os hospitais não têm luz, nem água para funcionarem (para além de terem sido o alvo direto de 703 ataques russos à bomba).

O diretor europeu da OMS tem razão em tudo o que diz. Desde a acusação de que Putin e os seus esbirros estão a violar os direitos humanos e as leis da guerra, ao apelo para acabar com esta guerra. Mas não é menos verdade que, a cada dia que passa, a cada ataque russo a alvos civis, a cada vaga de mísseis sobre infraestruturas civis, a cada passo russo em direção à barbárie, fica mais longe a possibilidade de paz.

É preciso pragmatismo, diz-se no Ocidente. Certo, mas também é preciso decência. Há cada vez mais vozes que se vão focando na necessidade de encontrar uma saída para a guerra. Incluindo os que vão à Ucrânia e testemunham, em primeira mão, a vaga de destruição e morte causada pelas hordas de Putin. Mas, a não ser que seja esse o desejo dos ucranianos, ninguém os pode forçar a negociar com um terrorista.

Diretor-adjunto

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