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Opinião

Os dribles

1. André Ventura tem uma habilidade natural para o drible político, não interessa se por boas ou más razões. Mas o que verdadeiramente impressiona é a insistência dos seus adversários políticos em facilitar-lhe as jogadas.

Foi assim no rescaldo das eleições nos Açores, em que o líder do Chega, apesar das evidentes contradições do seu partido, saiu por cima, aproveitando a boleia que o PSD lhe ofereceu. Foi assim, algum tempo depois, quando as candidatas presidenciais Marisa Matias e Ana Gomes, não só propuseram a ilegalização do partido, como anunciaram a recusa prévia, caso fossem eleitas, de dar posse a um Governo que incluísse Ventura. E volta a ser agora quando, perante o pedido de Ventura para suspender o mandato de deputado, PS, PSD, BE e PCP recusam a pretensão, com justificações pouco convincentes. Formalmente, terão as suas razões. Politicamente, não só não têm nenhuma, como promovem o líder da Direita radical, de novo, à condição de mártir. Ventura não terá qualquer dificuldade em aproveitar de novo as luzes da ribalta.

2. Dan Carter é um jogador de râguebi da Nova Zelândia. Um dos melhores do Mundo na sua posição, segundo a Wikipédia, que destaca a sua velocidade, habilidade para defender, driblar com o corpo e chutar. Carter só é notícia porque alguém com responsabilidades no Novo Banco tem um sentido de humor muito particular e decidiu batizar com o nome do jogador mais uma daquelas operações de venda de crédito mal parado a metade do preço. Explicando melhor, 12 mil empréstimos com um valor bruto de 79 milhões de euros, que ninguém se dava ao trabalho de pagar, e que foram parar às mãos de um fundo abutre qualquer por 37 milhões. E assim explicado percebe-se melhor o batismo. São negócios de classe mundial. Já agora, uma ressalva e uma adenda: esta venda não está coberta pela garantia pública (dinheiro dos contribuintes), mas ainda há 900 milhões de dribles para gastar no Novo Banco.

*Diretor-adjunto

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