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Opinião

De braços abertos?

Segundo dados da PORDATA (e INE), em 2021 terão emigrado mais de 65 mil portugueses, um valor equivalente ao de 2020, mas francamente abaixo dos registados anualmente ao longo de toda a década anterior.

Estas cifras mais contribuíram para um dado de que dificilmente nos podemos orgulhar: Portugal é o país da União Europeia com uma maior proporção de emigrantes face à população residente (um total superior a 2,5 milhões de cidadãos, que representa uma percentagem próxima dos 25% da população residente).

Se os destinos não se alteraram substancialmente, sobressaindo os países europeus (França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Espanha e agora também o Reino Unido), os EUA, Canadá e Brasil, o perfil dos nossos emigrantes alterou-se ao longo deste século.

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Ao invés de pessoas com menos recursos e qualificações, Portugal viu partir alguns dos seus melhores, esbanjando o esforço nacional (também financeiro) na sua formação.

Em qualquer dos casos, um mesmo sentimento e motivação: a procura de oportunidades e rendimentos que o país de origem parece incapaz de oferecer.

Ainda do ponto de vista económico, não deixa de ser de assinalar que, mesmo apresentando uma tendência de recuperação nos últimos anos, as remessas de emigrantes não acompanharam este ritmo de crescimento da emigração nacional, revelando uma menor relação entre a nossa comunidade na diáspora e o seu país natal.

Ainda assim, o valor de tais remessas ainda representa 1,7% do PIB nacional, permitindo (aqui pela positiva) que Portugal seja o país com mais remessas recebidas na União Europeia.

Nestes dias de verão, quando as ruas das nossas aldeias, vilas e cidades parecem repletas de portugueses espalhados pelo Mundo, dois sentimentos prevalecem.

Em primeiro lugar, a perceção de que muitos ainda parecem corpos estranhos em cada uma das comunidades a que regressam, onde pouco fazem para se integrar e em que ainda são olhados com distanciamento.

Em segundo lugar, a dúvida sobre o real empenho dos poderes públicos no aproveitamento do enorme potencial que estes cidadãos podem representar para o nosso país.

Hoje são muitos os que têm uma posição económica relevante nos países de destino, capacidade de investimento e diversas oportunidades de exploração de contactos comerciais.

Por sua vez, numa altura em que abundam as oportunidades de emprego não satisfeitas, o Programa Regressar ainda tem resultados residuais, demonstrando que há algo mais a fazer para estimular o retorno dos nossos emigrantes e seus descendentes.

Mas, estaremos mesmo com os braços abertos?

* Presidente da Câmara de Braga

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