Opinião

O estado da União

Hoje, é Dia da Europa. E, para aqueles como eu que acreditam profundamente nos méritos do projeto europeu, é seguramente um dia de alegria que faz jus ao excerto da nona sinfonia de Beethoven que a União adotou como hino.

Tal convicção não nos deve iludir, porém, quanto à avaliação do atual momento da União Europeia, aos desafios com que a mesma se confronta e às perdas de relevância que registou em vários domínios face a diferentes interlocutores internacionais, ao longo dos últimos anos.

Através da promoção de um intenso diálogo intercultural, a Europa tem de continuar a ser um espaço de paz, inclusivo e integrador, capaz de protagonizar um esforço de mediação credível em diferentes contextos de conflitos globais.

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A Europa tem de se afirmar na inovação e na competitividade, enriquecer a diversidade e resiliência do seu tecido económico, apostar na qualificação dos recursos humanos e atrair e reter o talento que gera em cada Estado-membro.

A União Europeia tem de ser um espaço de justiça social, de coesão territorial, de concertação de respostas e projetos em políticas multinível que valorizem o papel crescente das estruturas de poder local e regional.

A Europa tem de liderar na sustentabilidade e na adaptação às alterações climáticas, tem de envolver as instituições e os cidadãos e deve reforçar a democraticidade e transparência dos seus processos de decisão internos.

Em muitos domínios, tem sobretudo que passar dos planos e anúncios para a ação, com projetos impactantes (que não desperdicem os recursos disponíveis), ágeis e assentes numa lógica de proximidade, para maximizar a sua eficácia.

Idêntica convicção perpassou por muitas das intervenções produzidas nos vários painéis do "State of the Union", a iniciativa promovida há mais de uma década pelo European University Institute de Florença, que esta semana voltou a juntar os representantes da academia e alguns dos mais relevantes decisores políticos à escala europeia.

Para garantir "uma Europa preparada para a próxima geração" - tema genérico da edição de 2022 -, a União não pode de todo falhar numa resposta concertada aos enormes desafios com que hoje se depara, especialmente vinculados à guerra na Ucrânia: o apoio em meios militares no decurso do conflito; as políticas de acolhimento e integração de refugiados; os apoios à reconstrução das cidades agora destruídas; a mitigação da dependência energética da Rússia.

Como desde a fundação, unidos na diversidade, mas inequivocamente europeus.

Presidente da Câmara de Braga

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