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Cassete velha de velha gente

Cassete velha de velha gente

Associando-se ao centenário do PCP, um grupo de gente boa publicou o livro "Vozes ao Alto - 100 Histórias na História do PCP". Este belo e emocionante livro pega em objetos e conta, a partir dos mesmos, diversos factos que ajudam a compreender o que é o PCP.

Uma das histórias fala dos inúmeros telegramas que chegaram ao gabinete do ministro Avelino Gonçalves, comunista e ministro do Trabalho do 1.º Governo provisório do pós-25 de Abril, que criou o salário mínimo nacional. Novidade que tinha outra característica revolucionária: era igual para homens e mulheres!

No meio de todos os telegramas, lá estava uma reação patronal a estas decisões. Apontava a Comissão Administrativa do "Grémio Nacional dos Iindustriais de Calçado", em representação de 1300 pequenas e médias empresas, trabalhando conjuntamente com cerca de 30 000 trabalhadores, a "alarmante" situação criada a esta indústria a partir da aplicação do salário mínimo nacional de 3300 escudos, igual para ambos os sexos.

"Tal resolução, aplicada indiscriminadamente, obrigará que a mão de obra suba, em alguns casos, cerca de 100%, nossos prejuízos na execução de encomendas destinadas a exportação já em carteira, subida futura nas tabelas que ocasionará perda fatal de tais mercados, e também aumento substancial do preço no mercado nacional, com consequente aumento do custo de vida interno. Pretendemos, portanto, alertar Vossa Ex.cia para este grave problema, solicitando medidas cautelares capazes de impedir a falência deste sector com inevitável desemprego dos seus trabalhadores".

O que permite ver como a reação do patronato e da Direita aos aumentos do salário mínimo é uma catastrofista cassete velha. De gente que continua a apostar na competitividade com base nos baixos salários, mas máximos lucros, de preferência com fuga fiscal...

Engenheiro

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