Praça da Liberdade

Águas agitadas na Direita do Porto

Águas agitadas na Direita do Porto

Nos últimos dias vieram à tona um conjunto de situações que mostram como estão agitadas as águas no seio das diversas tendências da Direita no Porto.

O movimento RM/CDS anda agitado pela revolta dos presidentes das juntas de Freguesia, que estão insatisfeitos com as verbas que lhes são transferidas pela Câmara. Têm toda a razão. Mas convém explicar, em primeiro lugar, que a forma de cálculo dessas transferências resultou de um acordo PSD/PS/CDS e, em segundo, que os cinco presidentes de Junta eleitos pelo movimento de Rui Moreira aprovaram o Orçamento da Câmara para 2018, bem como os contratos de delegação de competências onde estavam consagrados os montantes que agora... contestam! Independentemente da defesa de uma efetiva descentralização de competências para as juntas - naturalmente acompanhada da correspondente transferência de verbas - a questão que está em causa é que Rui Moreira detesta a "minudência" das juntas e dos seus presidentes e o seu chefe de Gabinete (que interage com as juntas) segue-lhe as pisadas, considerando-os arraia-miúda e esquecendo a sua legitimidade e importância. Será que, finalmente, vamos ter no Porto verdadeiros presidentes de Junta e não representantes políticos do presidente da Câmara nas freguesias?...

Mas Rui Moreira, convidado pelos vereadores da oposição a pronunciar-se sobre a vergonha de salários em atraso na Junta de Freguesia do dito "Centro Histórico" (presidida por um representante do seu Movimento), deixou escapar a frase: "Não enjeito as decisões que tomo e as más escolhas que faço. Com certeza que cometo erros". Ou seja, reconheceu, mais uma vez, que a escolha de António Fonseca para encabeçar as listas do seu Movimento naquela União de Freguesias tinha sido um erro. Mas a verdade é que já no mandato anterior lhe tinha retirado a confiança política e, depois, voltou a propô-lo como candidato a presidente da Junta! À primeira qualquer um cai, à segunda cai quem quer, diz o povo e com razão. Já agora, não deixa de ser curioso ver o PS a atacar este presidente da Junta quando, no mandato anterior, andou com ele ao colo...

No CDS houve eleições para a Concelhia e, segundo reza a imprensa, ganhou a candidata que não era apoiada pelo aparelho e, em especial, pelo eterno líder da Distrital, Álvaro Castelo Branco. Em temos autárquicos, ganhou um membro da Junta de Freguesia do dito "Centro Histórico" e perdeu uma vereadora da Câmara, o que não deixa de ser significativo... Veremos, agora, como a nova líder da Concelhia do CDS descalça a bota de, como membro da Junta de Freguesia, ser corresponsável pela situação de salários em atraso. Continua cúmplice ou dá o murro na mesa?

Também no PSD o mar anda bravo. O líder da sua secção Ocidental, o deputado municipal Luís Osório, foi proposto por Rui Moreira como administrador da Casa da Música. Dizem as más-línguas que este é um caminho para obter o seu voto na Assembleia Municipal, dando-lhe assim, na secretaria, a maioria absoluta que o povo não lhe deu. Não quero acreditar. Pela dignidade de Luís Osório e por não crer que um movimento "virtuoso" de independentes deite mãos a instrumentos "pérfidos" utilizados por certos partidos...

Isto está a animar!

* ENGENHEIRO