Podem, alguns, pensar que a situação do bairro do Aleixo está resolvida. Mas a verdade é que não está e que a situação que hoje lá se vive é bem pior do que aquela que se vivia quando Rui Rio mandou implodir a primeira torre - a 16 de dezembro de 2011.
Isso mesmo o pude constatar numa visita que, esta semana, fiz ao bairro. Não me importa, agora, abordar o que deu origem a esta situação, embora os responsáveis tenham nome! Não. Depois desta visita, o que me interessa é falar das pessoas que continuam a (sobre)viver no bairro. Porque ainda lá vivem quase 100 famílias! Em (três) torres semidevolutas. E cujo processo de realojamento foi interrompido sem que se conheçam as razões porque foram uns realojados e outros não.
Sendo que a torre 1, aquela que era (e é!) o grande centro de venda de droga continua de pé, agora com uma envolvente mais degradada. Nos terrenos adjacentes há acampamentos (no sentido literal, com tendas de campismo montadas e outras improvisadas) onde estão toxicodependentes que consomem à vista de todos e vivem no meio do lixo. Em condições indignas para um animal, quanto mais para seres humanos.
Nas torres (incluindo na 1, onde vivem muitas famílias que nada têm que ver com o tráfico de droga) as condições de habitabilidade degradaram-se exponencialmente. Com grande parte das casas devolutas (as famílias saíram para outros bairros), os problemas de infiltrações de água e de proliferação de ratos e outra bicharada aumentaram enormemente. Vi gente a viver na varanda interior (que serve de acesso às casas) de uma das torres. Vi toxicodependentes a acederem, por uma janela, para o interior de uma cave para poderem consumir. Constatei que vários elevadores não funcionam, forçando moradores (muitos ainda a viverem entre os pisos 5 e 13!) a terem de utilizar escadas para acederem às suas habitações. Com idosos a ficarem reféns nas suas próprias casas por não terem forças para vencer tantas escadas. Que vi totalmente grafitadas, esburacadas, cheias de lixo e com cheiro nauseabundo a urina e fezes.
E, no meio de todo este inferno, vi gente digna. Que sente uma grande revolta por aquilo que sucessivos poderes municipais lhes fizeram e pelo abandono a que os votaram. Sabendo que o tráfico de droga foi, apenas, o pretexto para uma operação de especulação imobiliária (com potencial de lucro tão grande como o da droga...).
Infelizmente, os responsáveis por esta situação não perdem um minuto do seu sono . Cabe aos portuenses terem um sobressalto cívico para impedir que os seus concidadãos continuem a viver (n)este inferno...
Os responsáveis pela situação no Bairro do Aleixo não perdem um minuto do seu sono. Cabe aos portuenses terem um sobressalto cívico para impedir que os seus concidadãos continuem a viver (n)este inferno.
* ENGENHEIRO
