Na semana passada, vieram a público informações que mostram que Rui Rio mentiu aos portuenses. E mentiu deliberadamente, para disso tentar retirar dividendos políticos! O que destrói a sua propalada seriedade...
Contemos a história. Em 2001, as eleições autárquicas no Porto tiveram como grande tema de debate a autorização, ou não, de construções no Parque da Cidade. Nenhum candidato defendeu essas construções. Como se sabe, Rio ganhou as eleições sem maioria absoluta, tendo eu aceite o pelouro do Ambiente. Mal chegados à Câmara, somos surpreendidos com o facto de Nuno Cardoso, nos seus últimos dias como presidente da Câmara, ter despachado favoravelmente os PIP - pedidos de informação prévia - dessas construções, o que implicava a atribuição de direitos de construção aos promotores imobiliários - contrariando desse modo a vontade dos portuenses que, nas urnas, se tinham oposto a essas construções. Recordo bem as reuniões que tivemos (Rio, eu e Ricardo Figueiredo, vereador do Urbanismo) com técnicos e juristas para vermos como impugnar aquela decisão. Sendo que se decidiu bloquear essa construção, tendo o processo ido para tribunal.
Onde, como é costume, o processo arrastou-se durante anos, tendo eu deixado de o acompanhar diretamente (porque não tinha competências para isso e porque, a partir de 2005, deixei de ter pelouro atribuído, quando Rio ganhou a maioria absoluta). Mas eis que, em finais de 2008, Rio anuncia, impante, um acordo extrajudicial com os proprietários dos terrenos do Parque da Cidade, com o pagamento de uma indemnização de cerca de 43 milhões de euros, que seriam obtidos através da cedência de vários terrenos na cidade e a autorização de construção em terrenos do Parque na Av. da Boavista.
Na altura, a forma como o acordo foi anunciado suscitou-me muitas reservas. Mas o que não desconfiava - e o jornal "Público" agora denunciou com provas - é que para além do acordo tornado público, havia outro escondido! Em que Rio se comprometia a autorizar o mamarracho agora em construção na marginal junto à Ponte da Arrábida (cujo terreno pertencia aos mesmos que detinham os terrenos do Parque da Cidade). Isto apesar de, relativamente ao terreno da Arrábida, a Câmara ter ganho os processos em tribunal! Sendo que há provas de pedidos de pareceres jurídicos internos cujo resultado tinha de ser a autorização dessa construção!...
Não esperava esta mentira, que procurou "vender a ideia", em vésperas das autárquicas de 2009, de que Rio tinha obtido uma vitória e negociado um bom acordo para o Parque da Cidade, quando, na realidade, o acordo foi bem pior do que o anunciado e, pior do que isso, poupou o Parque da Cidade à custa do sacrifício da marginal da Arrábida.
*ENGENHEIRO
