Nas últimas semanas deparamo-nos com notícias (verdadeiras!) que são elucidativas pela demonstração dos reais pensamentos de alguns dos seus protagonistas, da forma de atuar de outros, das motivações de outros tantos.
Sobre as eleições no Brasil não deixa de ser curioso (mas também assustador), ver dirigentes do CDS, a começar por Assunção Cristas, afirmar que, se fosse brasileira, não votaria (sendo que Nobre Guedes foi mais claro na sua opção por Bolsonaro). O que mostra com o que podemos contar, quando a democracia está em risco. A este propósito, li aqui no JN, que, se Bolsonaro ganhar, isso será bom para a economia brasileira, explicitando que os investidores (leia-se, na linguagem marxista, "o capital") se dão bem com as ditaduras (que o digam os grandes grupos económicos que, em Portugal, prosperaram à sombra do fascismo, enquanto o povo e o país definhavam. O que não deixa de ser uma visão da economia...
Relativamente ao assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul, veja-se a benevolência das reações internacionais e nacionais. Em Portugal, a Direita, que bradou aos céus por o Governo apenas ter chamado o embaixador russo aquando do envenenamento de Skripal em Inglaterra (exigindo expulsões de diplomatas e sanções!) agora está muito calada! Sim, que um inadmissível assassinato no interior de um edifício consular é aceitável desde que perpetrado por amigos - principalmente quando estes são fonte importante de petróleo e peões na estratégia de controlo do Médio Oriente (aliás, impressiona o silêncio com que se encara a ingerência da Arábia Saudita no Iémen, numa guerra com consequências dramáticas para uma população tão martirizada).
Pelo Porto, foi chumbada, na Assembleia Municipal, a proposta de Rui Moreira de lançar um concurso para a concessão de mais uns milhares de parcómetros, desta vez na zona ocidental da cidade. É conhecida a minha contestação a esta política de proliferação de parcómetros, ainda por cima quando o objetivo não é o da regulação do estacionamento, mas sim o da transformação do espaço público numa fonte de rendimento (para o município e para privados). Mas não deixa de ser curiosa a posição do PS nesta matéria: quando Rui Rio quis fazer uma concessão de parcómetros na cidade, o PS clamou que não podia ser! Quando Rui Moreira avançou com o mesmo processo, o PS, que estava coligado com Rui Moreira, disse que achava muito bem. Agora que o PS e Rui Moreira se zangaram, o PS voltou a estar contra....
Como diz um amigo meu, só não vê quem não quer.
Pela minha parte, hoje, dia em que escrevo, espero que os brasileiros vejam.
*ENGENHEIRO
